Com objetivo de ouvir a população de Lucas do Rio Verde e municípios vizinhos sobre o projeto da ferrovia de Integração Centro Oeste – FICO – e apresentar os estudos preliminares da rodovia, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) realizou nesta sexta-feira em Lucas do Rio Verde, reunião participativa com a participação de mais de 300 pessoas. O auditório da Fundação Rio Verde ficou lotado. Produtores rurais e empresários de toda a região participaram do encontro.
O interesse em conhecer e sugerir propostas ao projeto original aumentou em razão dos problemas de logística enfrentados pelo país. Produtores de soja viram a China cancelar compras de navios carregados com o produto em razão da demora na entrega por causa do caos logístico. Os portos de Santos e Paranaguá não conseguiram dar vazão à demanda.
O diretor geral da ANTT, Jorge Passos, explicou que a ferrovia é um projeto do Governo Federal que deve ser implementado nos próximos meses. Passos lembrou que a presidenta Dilma Rousseff assumiu o compromisso com a região Centro Oeste ainda quando ocupava o Ministério da Casa Civil. “Esperamos que no máximo em 5 anos e meio a ferrovia esteja pronta e operando em Mato Grosso”, sinalizou.
Presente à reunião, o senador Blairo Maggi disse que a ferrovia vai se tornar realidade na região médio norte matogrossense. Ele assinalou que o maior impacto será no custo de produtos, já que o valor do frete deverá sofrer uma redução significativa com o novo modal. “Nosso objetivo é deixar a rodovia pronta e ter preços mais baixos no transporte”, pontuou.
O prefeito de Lucas do Rio Verde, Otaviano Pivetta, mostra confiança em razão do regime de construção da ferrovia, feita através de parceria público-privada. Ele lembra a novela que se tornou a pavimentação da BR 163. “Até hoje é promessa de uma obra pública. Quando chegamos aqui, 30 anos, já tinha gente morrendo de velho acreditando que ia sair a 163. Até hoje não é realidade ainda”, observou.
Após a reunião participativa em Lucas, a ANTT deve realizar outros encontros. O próximo deverá acontecer em Água Boa. Ainda no segundo semestre deverá acontecer uma audiência pública na capital do Estado. Após esses encontros, o governo deve lançar edital para contratação das empresas que assumirão a concessão da ferrovia. O contrato é de 5 anos. A obra, de 1,6 mil quilômetros, só deve iniciar em 2014.
O deputado federal Nilson Leitão disse que a logística vem tirando a competitividade do país. O parlamentar lembra que o produtor tem feito a sua parte, melhorando a cada ano a qualidade das lavouras, ampliando a produção e colocando Mato Grosso como maior produtor de grãos do país. Por outro lado, o governo não fez sua parte. Prova disso é a proposta aprovada pelo Congresso Nacional que regulamenta a aplicação de recursos privados nos principais portos brasileiros para garantir a capacidade de escoamento da produção de grãos e de produtos.
Em relação a ferrovia, Leitão cita que o projeto chegou a ser lançado em 2010, mas ficou engavetado. Segundo o parlamentar, o Governo não tem conseguido as licenças necessárias para dar andamento ao projeto. “Nós ‘andamos’ apenas 200 quilômetros em dez anos com a Ferronorte”, lembrou Leitão, apontando que caso a ferrovia fosse implantada, ligando Cuiabá a Santarém, paralelo à BR 163, o custo do frete seria reduzido em até 70%. Um ganho que os produtores regionais terão que aguardar ainda por alguns anos para se tornar realidade.