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O dólar registrava leve queda no início da tarde desta terça-feira (180, numa sessão volátil, diante do esforço do Banco Central para tirar a moeda do patamar de R$ 2,18 visto mais cedo e com os investidores mostrando preocupações sobre possível redução do estímulo monetário nos Estados Unidos.
O BC fez dois leilões de swap cambial tradicional --equivalentes a vendas de dólares no mercado futuro - e, diferentemente de operações anteriores, vendeu grande parte da oferta com volume financeiro equivalente a R$ 4,5 bilhões e evidenciando forte demanda do mercado por divisas.
Perto das 14h10, o dólar tinha leve queda de 0,16%, para R$ 2,1627 na venda, depois de ter avançado 0,92%, a R$ 2,1861 na máxima do dia - o maior nível intradia desde 29 de abril de 2009, quando a moeda bateu R$ 2,1930. Segundo dados da BM&F, o volume negociado estava em torno de US$ 850 milhões.
"O BC entendeu que o mercado queria comprar dólar e foi injetando, e apesar dos US$ 4,5 bilhões que ele despejou, o cenário não é de dólar para baixo", afirmou um operador de um grande banco nacional. "Temos um cenário de incertezas internas, dólar quase todo dia se valorizando ante as moedas. Acaba que o BC vem remando contra a maré", emendou.
Após o anúncio do segundo leilão, o dólar chegou a cair, mas o movimento perdeu força e fez o dólar voltar a avançar para, depois, recuar novamente, mostrando volatilidade nos negócios deste pregão.
Na véspera, o BC também realizou um leilão de swap cambial tradicional depois que o dólar atingiu R$ 2,1781 na máxima do dia. Mesmo assim, a divisa encerrou em alta de 0,84% ante o real, a R$ 2,1661 na venda, maior patamar de fechamento desde 30 de abril de 2009.
"Se a percepção no BC é de que os leilões vão resolver (a alta do dólar), está errado", afirmou o economista-chefe do 4Cast Inc, em Washington, Pedro Tuesta. "Lembre-se que o Brasil não só está enfrentando um problema de fluxos lá fora, mas também um problema de confiança na política econômica", emendou.
Para a equipe econômica do governo, os movimentos do dólar no Brasil é normal neste momento, com os investidores do mundo todo de olho nos próximos passos do Fed, segundo uma fonte próxima da área econômica, lembrando que esse é um período de realocação dos ativos no mercado mundial.
Apreensão puxa dólar
Analistas alertavam, no entanto, que não apenas a apreensão com a reunião do Fed, mas também a desconfiança dos investidores com a economia brasileira impulsionavam a alta do dólar no Brasil.
"Há uma ansiedade em relação à reunião do Fed que começa hoje e isso está levando o dólar a se valorizar frente à maioria das moedas lá fora, e isso está puxando o dólar aqui também, em meio a preocupações com os fundamentos da economia brasileira", afirmou o estrategista-chefe do Banco WestLB Luciano Rostagno.
Os investidores seguem agora na expectativa do resultado da reunião do Fed e das declarações de seu chairman, Ben Bernanke, na quarta-feira, em busca de sinais sobre os rumos da política do banco.
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