Mato Grosso, 12 de Junho de 2026
Economia / Agronegócio

Pesquisador Lucien Séguy receberá o mérito “O Semeador” no ENTEC$ 2012

22.05.2012
23:45
FONTE: assessoria

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No dia 23 de maio o Encontro Nacional de Tecnologias de Safra - ENTEC$ 2012, contará com a ilustre presença do agrônomo, pesquisador e pedólogo francês, Dr. Lucien Séguy, que abordará o tema Agricultura Moderna - Vilã ou Aliada da Preservação Ambiental. Por conta de sua trajetória como pesquisador, sendo um dos precursores do Plantio Direto no Cerrado, receberá durante o ENTEC$ 2012 o mérito “O Semeador”, fundamentado na passagem bíblica de Mateus que diz “...outra, enfim, cai em terra boa e deu frutos...”.

 O prêmio tem como objetivo reconhecer em vida o trabalho, a coragem e o espírito empreendedor e inovador daqueles que contribuíram de forma significativa para a transformação da agricultura, a princípio do município e da região, e por fim, nacionalmente, como é o caso de Séguy.

As personalidades já homenageadas com o mérito foram: O agricultor Menefume Matsubara, em 2008, o empresário Otaviano Pivetta, em 2009, o presidente da Sicredi Ouro Verde – MT, Eledir Techio, no ano de 2010 e o diretor do DNIT, Luiz Carlos Pagot, em 2011.

Lucien Séguy iniciou suas pesquisas na África no final dos anos 60, desenvolvendo uma maior conservação do solo para pequenos produtores de arroz de sequeiro, e veio para o Brasil em 1977, para se responsabilizar por uma unidade de rizicultura. Em seguida, passou para atividades de criação e difusão dos sistemas de cultivo nos Cerrados e na Amazônia, uma paixão que já dura 40 anos.

Permaneceu estudando uma agricultura fundamentada nos princípios do ecossistema florestal, no qual a biomassa e a fertilidade do solo aumentam com o tempo. Seus estudos o tornaram referência quando se fala de agricultura de conservação e seu modelo permite intensificar a produtividade agrícola em longo prazo com menos insumo, com preservação ecológica, e dentro do contexto de mudanças climáticas pelo qual está passando todo o planeta, conseguindo por em prática o tão desejado desenvolvimento sustentável, como o pesquisador explica em seu estudo sobre Plantio Direto:

“O Plantio Direto sobre coberturas” permanentes do solo é sem dúvida o paradigma mais completo construído até hoje para o desenvolvimento planetário de uma agricultura sustentável, preservadora do meio ambiente, com um manejo do modo mais \"biológico\" possível. Mais do que portador de esperança, o Plantio Direto mostra sua capacidade de restauração do estatuto orgânico dos solos tão rapidamente quanto este se degrada, com o preparo destruidor nas grandes ecorregiões subtropicais e tropicais.

O exemplo dos Trópicos Úmidos é eloquente a este respeito, onde os processos que comandam a degradação dos recursos do solo (a erosão) e a mineralização da ‘M.O’. andam mais depressa do que em qualquer outro lugar do planeta. O estatuto orgânico dos solos pode com o uso dos sistemas em Plantio Direto mais atuantes, alcançar logo e ainda ultrapassar o dos ecossistemas naturais (florestas, cerrados), até mesmo nessas ecorregiões com climas excessivos, onde a temperatura e pluviometrias são altas e onde os solos são \"vazios quimicamente\", e apresentam um poder de retenção irrelevante em relação aos adubos minerais”.

Antes dos estudos de Séguy pelo Cirad no Brasil, feitos em parceria com a Embrapa, os agricultores usavam técnicas de preparo da terra que serviam apenas para regiões temperadas, e a consequência era sofrerem com a erosão e perda de fertilidade dos solos.  Segundo a Comunidade França-Brasil de cooperação científica, tecnológica e universitária, com o desenvolvimento do estudo, percebeu-se que arar a terra era ultrapassado, pois suas funções foram retomadas pela aplicação de herbicida e pela atividade biológica das plantas e dos organismos do solo, e que a cobertura do solo e a quantidade de biomassa eram fundamentais para protegê-lo contra uma erosão:

“Esse conceito representa uma mudança radical de paradigma e conduz a outros conceitos novos, tais como ‘fertilizar o sistema de cultura e não as culturas individualmente’. É a ‘produtividade’ do sistema em sua totalidade e em longo prazo que se torna central, e não mais a simples produtividade da cultura comercial. Outro conceito fundamental é o papel da biodiversidade para maximizar a produção de biomassa e dar estabilidade ao sistema; isso leva a substituir as monoculturas por sistemas de cultivo diversificados, que aplicam a associação ou a rotação de culturas com funções diversas. Então o uso de insumos (principalmente pesticidas) pode ser reduzido”.

Para Séguy, “se o Plantio Direto sobre cobertura vegetal propicia sempre, em todas as grandes ecorregiões estudadas, o seqüestro de carbono, a importância disso depende da natureza e da tipologia dos sistemas de cultivo praticados”.

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