Da grande área rival direto para a história do Grêmio. Dono de 12 gols em 61 jogos, Werley é o zagueiro com melhor média de gols do clube, batendo nomes lendários como Airton Pavilhão e Ancheta. O último foi na terça-feira, na vitória sobre o Caracas, pela Libertadores. Que se pareceu com muitos outros, graças a uma jogada mortal ensaiada nas cobranças de bola parada. É o "Código de Werley".
Como a brincadeira sugere, não é fácil decifrar o segredo. Werley sorri, se recosta na parede durante a entrevista e prefere manter oculta a chave do sucesso. O que não tem como esconder é a sua eficácia quando se traveste de atacante. De seus 12 gols, oito foram de cabeça e, destes, cinco saíram em cobranças de escanteios alçadas na primeira trave. Parecem replays.
Tudo começou em 2012. No primeiro semestre, costumava treinar a jogada com Marquinhos. Depois, o meia virou reserva e acabou saindo para o Avaí. A partir daí, entrosou-se com os pés famosos e calibrados de Zé Roberto e Elano, hoje os batedores oficiais de escanteios e faltas.
- Quando eu subo para a área, já olho para eles. Temos o nosso código - avisa, orgulhoso.
Não é à toa que Elano (uma vez), Marquinhos (duas) e Zé Roberto (três) foram grandes garçons para Werley desde sua chegada ao clube, em fevereiro do ano passado. Além do entrosamento, em pouco mais de 12 meses em Porto Alegre, já tirou de Rafael Marques o posto de zagueiro-artilheiro. O defensor, hoje no Atlético-MG, deixou o Grêmio com média de 0,12 por partida. Werley tem média bem superior, de 0,19 gols. Ainda mais à frente dos ídolos dos anos 1960 e 1970 Airton (0,03) e Ancheta (0,05). Nesta temporada, é vice-artilheiro do time, com três gols, ao lado do reserva Bertoglio e de Barcos. Zé Roberto lidera, com quatro.
Nascido na mineira Oliveira e com a fala mansa típica da região, Werley dispensa meta de gols para a temporada (fechou a passada com nove). Mas espera mostrar em breve novos passos. Contra o Caracas, dançou pela primeira vez após um gol. Foi uma homenagem ao cantor carioca Léo Lemos, de quem é amigo há seis meses. A música aproveita o embalo do sucesso do sertanejo universitário e se chama "Bombeirão".
- A minha esposa (Renata) até falou, meio surpresa: "se soltando, hein?" - ri o jogador. - Primeiro, lógico, tem que sair o gol. Mas, sim, quero dançar mais vezes.
A conta até poderia ser maior. Suspenso pela Conmebol por confusão na derrota para o Millonarios, na Sul-Americana, Werley só passou a atuar na Libertadores diante do Fluminense. Agora, não há mais impedimentos. O "Código de Werley" pode ser acionado quantas vezes for necessário. A torcida, os companheiros - e também Léo Lemos - agradecem.