Mato Grosso, 09 de Junho de 2026
Esportes

Joias Perdidas: esperanças no Inter, Diego e Diogo viram 'ciganos da bola'

18.05.2013
04:12
FONTE: Globo Esporte

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Em época de vacas desnutridas, em que o Inter ainda não tinha na sala de troféus taças como as da Libertadores ou do Mundial de Clubes, as principais esperanças da torcida repousavam sobre a base. Mas a pressão não desabava em cima de um só jogador. Dois nomes envergavam o futuro vermelho no início dos anos 2000. Colecionadores de títulos durante a formação, os gêmeos Diego e Diogo eram perspectiva de dias melhores para os colorados. Tornaram-se sinônimos de esperança.

Filhos de João Carlos - ex-lateral-direito do Inter de 1979 - , Diego e Diogo estão hoje a quilômetros de distância um do outro e também do clube em que foram lançados. Continuam ligados, porém, pelo sentimento. O primeiro é camisa 10 do Nacional, de Portugal, e o segundo busca a vaga de titular no ABC, de Natal.

Em conversa com o GLOBOESPORTE.COM, ambos falam do passado no Inter com saudade. Há todo um tom nostálgico entre eles, de um passado que poderia ser mais vitorioso, com mais títulos.

- Nós fomos lançados para o grupo profissional em época de muita pressão e cobrança. Todo mundo escutava falar de Diego e Diogo. Não que tenhamos decepcionado, mas se subíssemos em um momento como o de hoje, com uma base a mais, acho que seria mais fácil. Não me arrependo. Foi através dali que fomos para o mundão. Mas, claro, queríamos dar títulos ao clube - afirmou Diego.

Divisor de águas
Enquanto o Inter atravessava provavelmente o momento mais drástico de sua história, escapando do rebaixamento somente na derradeira rodada do Brasileirão de 2002, a diretoria, comandada pelo presidente Fernando Carvalho, projetava a temporada seguinte focada em reformulação. O conceito baseava-se na renovação do elenco a partir da valorização das categorias de base. E o orgulho do torcedor se renovava quando escutava os nomes de Diego e Diogo, que soavam quase interligados um ao outro.

Personagens constantes em categorias de base da Seleção, os gêmeos alcançaram protagonismo, no entanto, no time colorado sub-15, em 2000. Comandada pela dupla, a equipe infantil conseguiu o feito que somente seria conquistado pelo grupo profissional seis anos depois. A euforia foi tanta que o Beira-Rio passou a ostentar o letreiro “Campeão do Mundo Sub-15”.

- O Inter não ganhava nada, não tinha título de expressão. Acho que se criou uma esperança para o clube. Foi legal, teve um reconhecimento – relembrou Diego.

A excitação da torcida contagiou a imprensa. A partir de então, Diego e Diogo se tornaram populares nas páginas de jornais e em reportagens de televisão. Eram considerados como "joias raríssimas", conforme jornais da época.

Só que esse status-relâmpago oferecido aos garotos também gerou certo problema: quadruplicou a responsabilidade dos meninos que iniciavam a vida de boleiros profissionais. Eles passaram a conviver com pressão, mesmo somente com 17 anos, na época.

- Quando éramos da base, estávamos loucos para nos tornarmos logo profissionais. Quando aconteceu, criou-se uma carga em cima de nós – opinou o atacante.

Especialmente Diego viveu momentos importantes pelo Inter. Logo na primeira temporada, em 2003, assegurou a vaga de titular. Ao lado de Daniel Carvalho e Nilmar, formou o chamado "trio de ouro", ajudando o clube a conseguir boa campanha no Brasileirão (ficou a um ponto da vaga na Libertadores). Só que, naquela temporada, as convocações para a seleção sub-20 acabaram prejudicando o desempenho do time gaúcho. Os três participaram do Sul-Americano da categoria, em que o Brasil acabou derrotado na decisão pela Argentina. Já no fim do ano, Diego ficou fora da lista para o Mundial. Nilmar e Daniel Carvalho foram titulares na campanha do título e acabaram tendo trajetória mais expressiva do que a do colega de Beira-Rio.

Na temporada seguinte, em 2004, Diego cresceu a partir do meio do ano, com Muricy Ramalho no comando. Participou da campanha na Sul-Americana e viu o clube cair para o Boca Juniors na semifinal. Chegou a marcar um gol na Bombonera.

Faltaram oportunidades, na visão de Diogo
O outro irmão, Diogo, também recorda dessa arrancada da carreira com carinho. Só que há uma pequena frustração no meia do ABC: a falta de oportunidades. Ao contrário de Diego, ele não conseguiu emendar uma sequência para ganhar a chance de ser titular.

- Poderia ter recebido mais oportunidade, mais chance no Inter, por saber o nosso potencial... Na base, éramos os destaques. O clube poderia ter nos dado mais confiança. Tivemos inúmeras oportunidades de sair do Inter, mas a ideia era sempre ficar, dar o retorno esperado - avaliou Diogo.

E então os gêmeos se separaram pela primeira vez. Diogo acabou emprestado para clubes como Figueirense, Paulista, Coritiba (em que foi campeão da Série B), Ipatinga e Bragantino. Em 2005, Diego passou uma temporada no Santos. E quando teve a oportunidade de enfrentar o Inter, em um Beira-Rio lotado? A torcida se manifestou pela cria colorada, em tom de reverência, respeito.

- Até hoje, quando estou no Brasil, os colorados são bem simpáticos comigo e com o Diogo. Criou-se aquele vínculo com o Inter. Quando voltei, em 2005, para jogar com o Santos no Beira-Rio, o estádio todo gritou meu nome. Foi emocionante - lembrou.

Só que o destino do mundo da bola quis novamente que o futebol dos irmãos se cruzasse. Em 2008, Diego chegou ao Guangzhou Pharmaceutical, da China. Na temporada seguinte, foi a vez de Diogo ser contratado. Os gêmeos estavam juntos novamente, e o sucesso foi imediato: viraram ídolos da torcida.

Para Diogo, principalmente, foi como uma retomada. Depois de alguns problemas de lesões, ele voltava a atuar bem, se destacava... No aniversário dos gêmeos, em 1º de abril de 2009, uma surpresa: os dois receberam bolo no intervalo de uma partida, ainda no gramado.

- Foi um presente bem diferente, difícil de acontecer. Teve jogos em que eles levaram faixas minhas e do Diogo - contou o irmão.

Mas então houve uma notícia desagravável. O Guangzhou acabou punido por "negociar resultados". Logo, a associação acabou rebaixada e fechou por alguns meses. E os irmãos voltaram a se separar.

Diogo circulou no meio futebolístico. De volta ao Rio Grande do Sul, atuou por Caxias e Novo Hamburgo. Também passou por Botafogo-SP, Bonsucesso e Sport antes de chegar ao ABC.

- Sei que tenho condições para atuar nas séries A e B. Confio no meu futebol e vejo que tem muito espaço. Depende só de mim.

Já Diego está há três anos no Nacional da Ilha da Madeira, de Portugal. E pretende ficar por lá por pelo menos mais uma temporada, quando encerra o contrato.

Com 28 anos, Diego e Diogo ainda têm vida longa no futebol. Sobre as origens, lamentam a falta de títulos maiores pelo Inter. Mas sentem que fazem parte de uma geração que catapultou a instituição para a fase atual.

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