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O técnico Marcelo Oliveira não esconde que o Coritiba precisa da qualidade do meiaRafinhaem campo. No entanto, neste ano, o jogador não pode contribuir muito com a equipe em razão das seguidas lesões que vem sofrendo. Para a partida contra o Atlético-MG, Rafinha foi liberado pelo departamento médico, mas não deve começar jogando.
O craque se recupera da quarta lesão seguida no ano e já acumula 96 dias no departamento médico coritibano. Dos sete meses de temporada, o número de dias corresponde a mais de três meses sem poder entrar em campo. No Brasileiro, para se ter uma ideia, dos 14 jogos do Coritiba até agora, o meia participou apenas de quatro deles.
No início do ano, o jogador foi até considerado o atleta com o melhor preparo físico da pré-temporada. Após uma boa sequência na disputa do Campeonato Paranaense, cumpriu uma suspensão e logo depois passou pelo primeiro intervalo do calvário em 2012.
O atleta coxa-branca sentiu fortes dores musculares no dia 10 de março e foi poupado da partida contra o Iraty, quando a equipe goleou por 5 a 1. O tempo de ausência não foi grande, já que foi liberado e viajou com o elenco para Manaus. Rafinha foi titular na estreia da Copa do Brasil, mas logo depois foi afastado com a primeira lesão na coxa esquerda.
O primeiro período de recuperação durou 22 dias. Rafinha só voltou ao time na reta final do segundo turno, quando foi escalado contra o Cianorte, no dia seis de abril. Bastaram 17 dias para sofrer o pior problema do ano. No Atletiba do returno, o jogador sofreu uma entorse no tornozelo esquerdo e saiu de campo chorando.
A recuperação inicial era para durar quase um mês, para que Rafinha voltasse 100% e não agravasse o quadro clínico. Mas uma decisão conjunta entre os departamentos coritibanos possibilitou que o jogador disputasse o segundo jogo da final do Paranaense, contra o Atlético-PR.
Após o sacrifício, Rafinha precisou voltar ao departamento médico e passou o maior período em recuperação: 33 dias. A reta final da recuperação foi atrapalhada por uma nova dor, que atrasou o retorno. Foi até liberado para a primeira partida da semifinal da Copa do Brasil, contra o São Paulo, mas pediu para ficar de fora.
Após uma confusão sobre o retorno, o jogador atuou na vitória sobre o Atlético-GO, pelo Brasileiro, e foi uma das peças fundamentais para a classificação para a final da Copa do Brasil. A última lesão aconteceu na 10ª rodada do Brasileirão, contra o Palmeiras, quando saiu de campo reclamando de dores na panturrilha direita. Após o exame, os médicos constataram uma nova lesão e a recuperação durou 18 dias até a última quarta-feira, quando ele foi liberado pelo departamento médico.
Calendário e violência em campo são os motivos
O diretor do departamento médico do Coritiba, Lucio Erlund, acredita que a situação do jogador está mais associada a fatores externos do que a condição física do jogador. Os vilões, segundo ele, são o calendário do futebol brasileiro, que acumula muitas partidas, e também a brutalidade em campo dos marcadores.
O médico ressalta que, a dificuldade dos times em realizarem uma pré-temporada mais longa no início do ano é o motivo para que as lesões apareçam no decorrer da temporada. Sem um preparo físico melhor, condicionamento e tratamento, afirma, a musculatura dos jogadores sente. Ele conta que, neste ano, o Coritiba teve apenas duas semanas de pré-temporada, quando o ideal seria um mês.
- O Rafinha teve duas lesões que são traumáticas, que podem acontecer com qualquer jogador. Já as lesões musculares estão relacionadas ao absurdo que é o nosso calendário, onde um time joga até três competições diferentes.
As características de Rafinha em campo também o deixam mais exposto ao choque. Erlund lembrou que o meia apoia o ataque, corre muito, arma jogadas e se apresenta para fazer gols. Dessa forma, ele acaba sendo um dos jogadores mais marcados dentro de campo.
- Ele é um dos jogadores que mais corre em campo e que mais procura o gol, então é caçado.As lesões traumáticas estão muito mais relacionadas à arbitragem coibir melhor essas agressões que acontecem em campo.
A solução, conforme o médico, já é adotada nos tratamento indicados para a carga que os jogadores são expostos. No entanto, ressalta ele, ela passa também na melhoria das condições de trabalho dos clubes e no calendário brasileiro.
- Fazemos todo o trabalho na prevenção, que diminui o risco. Mas nada vai mudar se não enxugar o calendário. Ele tem que mudar, porque ele é perigoso para o ser humano.
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