Crédito: Montagem Midianews
O jovem Oziel de Oliveira, 22, morador de Lucas do Rio Verde (345 km ao Norte de Cuiabá) passou por vários exames decisivos para a reconstrução de sua face. O jovem teve um tipo raro de câncer, perdeu parte do rosto e espera, há mais de 10 anos, por uma cirurgia reparadora.
Oziel está em São Paulo desde a semana passada. Um dos exames realizados pelo rapaz foi a retida de saliva, para análise patológica. Com o exame, vai ser possível determinar se existe algum tipo de mutação nas células.
A cirurgiã dentista, especialista em patologia, Renata Lucci, que atende Oziel, explicou que a análise dos genes pode determinar se existem tumores malignos na boca. Caso tenha esse risco, os cuidados deverão ser redobrados. “O exame vai ajudar a mapear o caso”, resumiu a cirurgiã.
Cirurgia virtual
Oziel também realizou uma tomografia diferenciada. O exame possibilitou a reprodução de 600 imagens, a cada milímetro da face do rapaz. As imagens serão usadas para fazer um protótipo em três dimensões do rosto de Oziel.
Com o protótipo. os médicos podem realizar cirurgias virtuais, em todos os processos cirúrgicos mais impactantes. Dessa forma, a margem de erro no procedimento é reduzida.
Acompanhamento psicológico
Uma psicóloga vai atender Oziel, durante todo o tratamento. Ele vai participar de sessões de terapia, três vezes por semana. O acompanhamento é para dar estabilidade emocional ao paciente, durante os anos de tratamento necessários para reconstrução facial.
“Vamos trabalhar o controle emocional, angústia, medo terrível. Temos que fazer a construção do que vai ser o Oziel. A cada cirurgia pela qual ele for passando, temos que acompanhar a mudança e aceitação dele”, explicou a psicóloga Heloísa.
Tratamento longo
Oziel está acompanhado de sua mãe, Namir de Oliveira. Eles desembarcaram na capital paulista no último dia 16. O tratamento de reconstrução facial é realizado pelo Instituto Branemark, e não tem data prevista para o término.
Para reconstruir o rosto do rapaz, além do período pré-operatório, é necessária a realização de várias cirurgias, e todas vão depender da reação que o organismo do paciente apresentar após a cirurgia.
A reconstrução é feita com enxertos. Os principais pontos que serão reconstruídos são a parte óssea do maxilar, dentes superiores, mandíbula, dentes inferiores, bochecha, nariz e lábios. Não foi estabelecido prazo para conclusão do tratamento.
O caso
Oziel de Oliveira, revelou, em entrevista ao MidiaNews, que o câncer em sua boca começou com uma cárie esponjosa em um dente.
A família o trouxe até Cuiabá para fazer um diagnóstico, mas o tratamento não foi eficiente. O médico (nome não revelado) apenas receitou um bochecho três vezes ao dia e antibiótico.
A situação se agravou e Oziel teve que se tratar em São Paulo, onde foi descoberto que ele possuía um tipo de câncer muito raro. Nessa época, ele já estava com 12 anos.
Ao longo desses 10 anos, o rapaz fez várias cirurgias para retirar o tumor. Também tentaram fazer enxertos no rosto, mas nada adiantou.
Ele ficou famoso, em todo o país, após ter conseguido arrecadar R$ 106 mil, em uma campanha na Internet. O dinheiro será usado para custear o tratamento.