“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. A frase de Cora Coralina retrata o que os professores vivem todos os dias quando entram nas salas de aula. O grande ofício dos mestres, de conduzir a sociedade, mostrar caminhos, dar luz ao conhecimento é uma das profissões mais antiga do mundo e, não por acaso, ‘professor’ e ‘profissão’ têm a mesma origem etimológica do latim. Afinal, todos os ofícios que existem tiveram, um dia, alguém que os ensinasse.
No Sistema Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Sistema Fiemt) do qual fazem parte o Serviço Social da Indústria (Sesi-MT) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-MT), são mais de 370 professores. Mestres na arte de superar desafios, presentes não apenas nas escolas, mas no seio da comunidade, nos presídios, nos bairros afastados, dentro das indústrias, entregues ao ato de servir o outro, dando exemplo, ajudando a realizar sonhos e clareando o horizonte daqueles que ainda não enxergam o amanhã.
Neste universo da Educação, Sesi e Senai assumiram a nobre missão de aproximar dois mundos bastante distintos: o dos jovens e adultos que idealizam uma profissão que lhes coloquem como seres atuantes na sociedade, e o da indústria que busca na mão de obra, uma forma de produzir riquezas e fazer o país crescer. “Professores são como pontes que conduzem ao desconhecido. São eles que abrem as portas do saber, que trazer a capacidade da reflexão crítica, que transformam meninos e meninas em homens e mulheres. Uma profissão que exige entrega, paciência e doação”, pontua o presidente do Sistema Fiemt, Jandir Milan. Em todo o país, mais de 58 milhões de brasileiros foram formados pelo Senai para o mundo do trabalho. É como se 30% da população atual do Brasil tivesse aprendido uma profissão sob a orientação deles.
Na prática
Todos os dias, os 210 professores que fazem parte do Sesi-MT acordam com um mesmo objetivo: ensinar. Mas não um ensino qualquer, e sim um ensino diferenciado, aprimorando não apenas o pedagógico, mas também o lado cultural e social de cada um de seus alunos. Todo professor é estimulado a absorver o que cada faixa etária tem de melhor e é isso que Igor Lima, professor de história da Educação de Jovens e Adultos (EJA) faz diariamente. Ele relata que o trabalho realizado com adultos é muito diferente de uma sala de aula convencional, já que os estudantes possuem uma grande experiência de vida. “Esses estudantes sempre trazem um tema para ser abordado em sala, algo que presenciam na vida profissional ou problemas sociais que precisam lidar. E a ideia é utilizar isso como ‘fio condutor’, pois as aulas são dentro do ambiente de trabalho deles”. Para Igor, presenciar o momento em que seus alunos começam a se conscientizar da função social que desempenham na sociedade como trabalhadores, é sua realização como professor.
Enquanto o Sesi-MT trabalha na educação básica, fundamental e continuada, ou ainda com o EJA, o Senai-MT, recebe o importante papel de formar cidadãos para o mundo do trabalho. O professor José Maria Luciano da Silva, 56, assumiu a função há 35 anos, quando ainda estudava Engenharia. Naquela época, dar aulas era uma necessidade, o que posteriormente se transformou em paixão. Há 26 anos, ele passou em uma prova para o Senai-MT e nunca mais largou a sala de aula. “Lembro que assim que cheguei à instituição eu recebi um amplo treinamento para trabalhar como professor. Foi dentro do Senai-MT que eu aprendi a compreender melhor o ser humano, saber lidar com as habilidades individuais e também com as diferenças”.
Todos os dias, ele encontra na sala de aula estudantes que acabaram de sair do Ensino Médio, adultos que estão voltando ao mercado de trabalho, pessoas em busca de ter uma carteira assinada pela primeira vez, ex-detentos que querem uma oportunidade ou resgatados do trabalho escravo. As realidades são muito distintas, o que exige do profissional a capacidade de ver cada indivíduo como um ser único. “Uma das coisas mais bonitas em ser professor é isso, saber que cada um carrega uma história, um medo, um sonho e conseguir impulsioná-lo a vencer suas próprias debilidades, acreditar nele mesmo e ter motivação para crescer em meio a tantos empecilhos que muitas vezes a vida trouxe. Então eu vejo aquele brilho no olho de quem venceu e essa sensação não tem preço nenhum que pague”.