A paralisação nacional é um protesto contra os valores pagos pelas operadoras de planos odontológicos, a relação conflituosa entre as empresas e os profissionais da categoria e a falta de valorização do cirurgião-dentista, o que repercute de maneira negativa na qualidade do atendimento à população.
O movimento tem o apoio do Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso (CRO-MT). Na opinião do presidente Dalter Favarete, o aumento dos lucros das grandes empresas que oferecem planos não reflete em um retorno justo e digno ao profissional da odontologia.
O CRO acompanha os trabalhos da Comissão Nacional de Convênios e Credenciamentos (CNCC) que tem buscado, por meio da união de entidades representantes da classe como o Conselho Federal de Odontologia (CFO), debater e propagar a necessidade de valorização dos profissionais através da melhoria da qualidade dos serviços odontológicos prestados e a garantia de remuneração compatível aos cirurgiões dentistas.
Em Mato Grosso o mercado de planos odontológicos é dominado por uma cooperativa que tem o próprio profissional cooperado como dono, o que reduz o impacto no que diz respeito ao número de cirurgiões-dentistas atingidos. A cooperativa também apoia o movimento nacional. “As empresas colocam nosso preço de mercado muito aquém do que consideramos justo. Estamos fazendo um trabalho junto aos cooperados para que não atendam ao concorrente, é um movimento contra os outros planos”, revela Christiane Tafuri, presidente da Uniodonto-MT, cooperativa que reúne cerca de 200 cirurgiões-dentistas de diversas especialidades.
O movimento tem o apoio do Conselho Federal de Odontologia (CFO), Associação Brasileira de Odontologia (ABO), Federação Interestadual de Odontologistas (FIO), Associação Brasileira de Cirurgiões-dentistas (ABCD) e Federação Nacional de Odontologistas (FNO).
Nacional
De acordo com as entidades odontológicas, aproximadamente 44 mil cirurgiões-dentistas atendem por planos odontológicos na condição de pessoa física. Essa estrutura, somada às pessoas jurídicas, cobre em média 8% da população brasileira. A média de valor do plano odontológico para cada usuário é de R$ 11,20 para dar cobertura a cerca de 200 procedimentos, enquanto que a média do plano médico é de R$ 129,00 para dar cobertura a aproximadamente 4.500 procedimentos. A odontologia de grupo gasta em média de 45 a 48% com assistência enquanto que os planos médicos gastam de 80 a 85%.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) reconhece que há um desequilíbrio grande na relação entre os dentistas e os planos. Bruno Sobral de Carvalho, diretor de Desenvolvimento Setorial da ANS, sugere que o problema seja sanado com contratos “claros e objetivos” que estabeleçam cláusulas de reajuste baseadas em índices de conhecimento público. Carvalho anunciou que no fim deste ano a ANS vai publicar uma cartilha com os direitos e deveres dos prestadores de serviços de planos de saúde odontológicos. O diretor disse ainda que a agência vai estudar novas formas de sanção “mais efetivas do que multas” e novas regras de credenciamento e descredenciamento, para que este processo seja mais claro para os beneficiários.