Essa ferrovia, segundo Raupp, é capaz de aprimorar a logística de transporte no país, desafogando o tráfego de caminhões em muitas estradas brasileiras. Além disso, colocaria os produtos nacionais mais próximos das grandes rotas marítimas (Pacífico e Atlântico) e contribuiria para a integração sul-americana.
O interesse chinês se justifica, de acordo com o senador, pela proximidade do traçado da ferrovia com as áreas produtoras de commodities agrícolas e minério de ferro. "E a China é hoje o grande importador mundial desses produtos brasileiros", disse Raupp. Ele assinalou que o país asiático dispõe de recursos financeiros e tecnológicos mais que suficientes para realizar o projeto em associação com o Brasil.
– Havendo interesse e boa vontade de ambas as partes, creio existir possibilidades reais de um acordo em curto prazo. Essa é também a opinião do diretor da Agência Nacional de Transporte Terrestre, Bernardo Figueiredo. O projeto dessa ferrovia já está sendo executado e vejo com muito entusiasmo a concretização desse negócio entre Brasil e China ainda este ano – declarou.
Opção
Raupp disse que não há país desenvolvido que não tenha sistema ferroviário extenso e eficiente. Sobre trilhos, acrescentou, é possível deslocar enormes cargas a um custo relativamente baixo. No consumo de combustível, por exemplo, "as estradas de ferro têm o triplo da eficiência energética do transporte rodoviário".
A China, relatou o senador, está modernizando suas ferrovias e os trens de carga já andam a 200 km/h. No Brasil, cuja malha ferroviária encolheu de 30 mil quilômetros para 10 mil, os trens de carga andam a 40 km/h.
– Infelizmente, no Brasil há uma hipertrofia do sistema rodoviário, com repercussões negativas para o desenvolvimento de outros modais. A falta de investimentos perdurou por muitos anos, conduzindo nossa malha ferroviária à obsolescência – lamentou.