Mato Grosso,               
 

    

     
13/3/2010 - 11:50

  

 

 

 
Saúde
 
Quem morre de AIDS em Sinop?

SAE é pólo de tratamento na Região Norte
 

 

Luciano Huber, médico infectologista que atende no SAE

Luciano Huber, médico infectologista que atende no SAE

Atualmente pouco mais de 33 milhões de pessoas vivem com HIV no mundo. Em Sinop 186 pacientes fazem acompanhamento médico no Serviço de Atendimento Especializado de Sinop (SAE), número considerado dentro da normalidade. O esperado é cerca de 0,5% da população tenha Aids. “Normalmente 1/3 deste grupo conhece seu estado de portador. Somando os 2/3 restantes que não sabem da doença. Chega a mais ou menos 600 pacientes, compatíveis com os 120 mil habitantes do município”, revela Luciano Huber, médico infectologista que atende no SAE.

 
 
No SAE, 56 pacientes abandonaram o tratamento, 40 foram transferidos para outros centros e 18 morreram. O abandono é o que mais preocupa o médico. “A taxa de abandono é mais ou menos o esperado. Mas o abandono do tratamento é trágico”. 
 
 
Luciano revela que os piores casos são os pacientes que acreditam estar curados pela ação divina. “Esses pacientes se recusam a fazer os exames de rotina por julgarem desnecessários. O pastor que é uma figura de grande credibilidade no grupo social, já garantiu a eles e suas famílias a cura da doença”, conta o médico. 
Mais tarde, quando os sintomas das doenças oportunistas aparecem, todos procuram tratamento. Infelizmente muitas vezes é tarde demais.
Além dos que se dizem curados pela fé, existe os usuários de drogas, alcoólatras e pacientes psiquiátricos que têm muita dificuldade em coordenar a rotina de tomada de medicação e realização de exames com regularidade.
 
 
 
 
 
O médico revela que existem também os que não sabem da doença e quando procuram ajuda já estão em estado terminal. “Em um cenário ideal, o início do tratamento se dá antes do aparecimento dos primeiros sinais e sintomas”, adverte o médico.
 
 
Para o infectologista aceitar o HIV/AIDS não é fácil. “Ninguém quer tomar 3 antivirais, com seus efeitos colaterais e toda a carga emocional que envolve a materialização da doença”.
Um dos problemas apontados pelo médico está na forma irregular de tomar os medicamentos. Se houver falha por parte do paciente, a eficácia do coquetel reduz consideravelmente, diminuindo o tempo de vida. Isto porque o vírus desenvolve resistência muito rapidamente se as drogas forem usadas em sub-doses.
 
 
Em uma pesquisa rápida pela internet, é fácil encontrar depoimentos de pessoas que se dizem curadas pela ação divina. Para esses pacientes a recuperação aconteceu de forma inexplicável.
A maioria faz o tratamento médico e por isso melhora. Ao mesmo tempo em que começam a ir às igrejas e são iludidos pela cura divina. “Ao sair do hospital, comecei a freqüentar as reuniões da igreja e, definitivamente, me entreguei a Deus. Hoje tudo mudou”, diz um dos relatos. “Sou saudável e, acima de tudo, um testemunho vivo de que Deus existe. Atualmente vou aos hospitais apenas para levar aos sofridos a palavra de Deus”, conta outro testemunho. 
 
 
O infectologista finaliza colocando que o programa nacional de combate a AIDS/HIV deu certo. “Os medicamentos e os exames são caríssimos, mas à exceção do resto da saúde pública brasileira, estão praticamente sempre disponíveis sem custo para o usuário do sistema. Coisa de 1º mundo”.
 
 
No país, atualmente, 185 mil pessoas tem acesso universal ao tratamento da Aids no Sistema Único de Saúde (SUS) – o que representa uma cobertura de 95% dos portadores do vírus que precisam dos medicamentos. Garantido por lei desde 1996, o tratamento melhorou a qualidade de vida dos portadores do HIV.
O médico informa que cada combinação de drogas tem um período de eficácia contra o vírus, variando conforme a adesão ao tratamento pelo paciente. “Se tomar certinho pode chegar a 10 anos sem trocar o antiretroviral”.
 
 
Pólo Regional
Além dos pacientes locais, o SAE é referencia para assistência à pacientes com HIV na região. Hoje 326 pacientes usam a terapia antiretroviral (TARV). Essa terapia é composta sempre por uma associação de 3 drogas ou mais. Seriam mais ou menos como 3 "antibióticos" contra o vírus ao mesmo tempo.
 
 
Atualmente recebem acompanhamento pacientes de: Sinop (186), Sorriso (105), Lucas do Rio Verde (38), Peixoto de Azevedo(27), Guarantã do Norte (22), Colíder (20), Tapurah (13), Vera (13), Juara (8), Feliz Natal (6), Cláudia (6), Castelo dos Sonhos (4), Ipiranga do Norte (4), Itaúba (3), Nova Canaã do Norte (3) , Marcelandia (3), Novo Progresso (3), Matupá (2), Nova Ubiratã (2), Paranaíta (2), Santa Rita do Trivelato (2), Terra Nova do Norte (2), Alta Floresta (1), Itanhanga (1), Novo Mundo (1).
 

 

 

 
Fonte: ExpressoMT
de Sinop Katiana Pereira






 
 

 

 
 



 




 
 
 
 
 

 
 

 

 

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