Mato Grosso, 19 de Março de 2019
Nacional / Internacional
A mais longa paralisação da história dos EUA e a queda de braço entre Trump e democratas
12.01.2019
06:35
FONTE: G1

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    Mulher faz imagens com telefone, enquanto holofotes dos Estados Unidos iluminam a parede com arame farpada na fronteira, ao longo da praia em Tijuana, no México — Foto: AP Photo/Gregory Bull

A paralisação parcial do governo federal dos EUA completa 22 dias neste sábado (12), e o maior efeito até agora da queda de braço entre o presidente Donald Trump e a oposição democrata é o mais longo "shutdown" da história americana. Diante do impasse sobre o orçamento e a construção do muro na fronteira com o México, o atual fechamento do governo supera o recorde anterior, entre 1995 e 1996, durante a presidência de Bill Clinton.

 

Um quarto do governo federal está sem funcionar e 800 mil servidores públicos estão sem receber salário, enquanto o financiamento de setores do governo não passa pelo Congresso. De um lado do cabo de guerra, está Trump dizendo que só aprovará o orçamento deste ano se os congressistas incluírem no projeto quase US$ 6 bilhões para a barreira física que, segundo ele, é a solução para impedir a imigração ilegal nos EUA.

 

Na outra ponta, a Câmara, que agora tem maioria de democratas, e não concorda em incluir a cifra e liberar o dinheiro, dizendo que a política migratória e os argumentos do governo sobre o tema são enganosos e que fazem parte de uma "crise fabricada".

 

 

Apelo

Em pronunciamento na TV na quarta-feira (9), Trump apelou para um discurso emotivo e fez uso de números controversos para tentar convencer os americanos, e principalmente a oposição, da importância da barreira na fronteira sul do país.

 

"É passagem para uma grande quantidade de drogas ilegais, incluindo metanfetamina, heroína, cocaína e fentanil. A cada semana, 300 dos nossos cidadãos morrem apenas pela heroína", destacou. O presidente americano também atacou a oposição: “quanto sangue americano terá que ser derramado até que o Congresso aprove?”.

 

As estatísticas e os números apresentados durante o discurso foram questionados pela oposição e pela imprensa norte-americana, e o apelo não surtiu efeito.

 

Há uma crise humanitária na fronteira entre EUA e México? O que os números dizem

 

 

Ninguém cede

Imediatamente após o discurso, os líderes democratas também foram à TV e reagiram às declarações do presidente, exigindo que o governo fosse reaberto. "O presidente Trump deve parar de manter o povo americano como refém, deve parar de fabricar uma crise e deve reabrir o governo", afirmou a presidente da Câmara Baixa, Nancy Pelosi.

 

O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou também que é favorável a mais segurança na fronteira dos EUA com o México, mas que o muro é desnecessário. "Os democratas e o presidente querem uma segurança mais forte nas fronteiras. No entanto, discordamos fortemente do presidente sobre a maneira mais eficaz de fazê-lo", disse.

 

Em reunião no Congresso no dia seguinte, Trump também foi irredutível e "bateu na mesa” e disse que “não tinha nada para discutir”, segundo o prório Shummer.

 

No Twitter, o presidente chamou a reunião de "total perda de tempo" e disse que propôs a Pelosi encerrar a paralisação se os democratas concordassem em aprovar a verba para o muro dentro de um mês, mas que a presidente da Câmara recusou a oferta. “Eu disse tchau. Nada mais funciona!”, acrescentou.

 

Artimanha

Ainda durante a semana, Trump visitou a divisa mexicana e negou que tenha prometido durante a campanha eleitoral que o México pagaria pelo muro: "Obviamente nunca disse isso e nunca quis dizer que eles iam assinar um cheque. Eles vão pagar com o incrível acordo comercial que fizemos com o México e o Canadá", referindo-se ao tratado que substitui o Nafta, e que resgata uma zona de livre comércio entre os três países.

 

Uma manobra de Trump para levantar o muro mesmo sem o aval democrata foi colocada na mesa. É a possibilidade de decretar emergência nacional, o que lhe permitiria usar verbas destinadas a obras militares para construir o muro e driblar o impasse com o Congresso.

 

Mas na sexta-feira (21), o presidente americano afirmou que não deve recorrer à artimanha tão cedo. "O que não estamos procurando fazer agora é uma emergência nacional", disse Trump. Ele insistiu que tinha autoridade para fazer isso, acrescentando que "não vai fazer tão rápido", porque ainda prefere trabalhar com o Congresso. A iniciativa também estaria sujeita a ser imediatamente impugnada na Justiça.

 

A aliados, segundo agências de notícias, Trump disse que a briga pelo muro, mesmo sem conseguir o financiamento solicitado, é uma questão de vitória política para ele.

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