Mato Grosso, 20 de Julho de 2019
Esportes
Análise: vice mesmo tratando o Paulistão com desdém, São Paulo terá novo reinício
22.04.2019
08:56
FONTE: Globo Esporte

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  • Presidente Leco consola jogador do São Paulo — Foto: Marcos Ribolli

Explicar por que o São Paulo perdeu a final do Campeonato Paulista para o Corinthians é muito mais simples do que o fato de ter chegado até ela com uma gestão medíocre. As ações desde janeiro foram de menosprezo à competição, justamente a que deveria ter sido priorizada por quem não levanta qualquer taça há mais de seis anos, e a estadual há 14.

 

O São Paulo efetivou o técnico da base e contratou um coordenador. Depois, demitiu o efetivado e interinou o coordenador enquanto o novo comandante curava doença no coração. Por fim, antecipou a chegada do técnico e estabeleceu uma dupla com o coordenador-interino-auxiliar. Tudo isso em menos de três meses.

 

Se o seu cérebro deu nós, mande a conta para a Praça Roberto Gomes Pedrosa.

 

A atuação inoperante na final do último domingo é retrato do desastre administrativo. O São Paulo resolveu ter ambição tarde demais. As contratações de Cuca, Alexandre Pato, Tchê Tchê e Vitor Bueno indicam, enfim, intenção de ser protagonista. Nas mãos de Leco e companhia, ninguém sabe quanto tempo isso irá durar. Talvez, até a próxima janela de transferências.

 

Sem Pablo, machucado, Cuca teve de escalar o Tricolor sem centroavante nos dois jogos da final. Diego Souza, artilheiro do time no ano passado, com 16 gols, foi para o Botafogo em março. Não há explicação razoável para essa inequação.

 

Liziero também se machucou – de novo – e Jardine, Mancini e Cuca não tiveram outro meio-campista com suas características. Não é Jucilei. Não é Willian Farias. Não é Hudson. Não é Everton. Não é Luan. Poderia ser Tchê Tchê, contratado a pedido do novo técnico, e não mais em tempo de ser inscrito no torneio que o São Paulo tratou com desdém.

 

O setor, pelo menos, entregou dois garotos de talento, coragem e personalidade: Luan e Igor Gomes são as melhores notícias do Paulistão pelos lados do Morumbi. O que fizeram num time todo esburacado diante de Palmeiras e Corinthians é digno de reconhecimento.

 

 

Remendada, a equipe entrou em campo com Jucilei totalmente fora de ritmo, numa modalidade de marcação à distância incompatível com clássicos e decisões, e Everton Felipe de falso 9. Ainda não se sabe qual é a sua verdadeira posição, mesma aflição sobre Gonzalo Carneiro, reforço apadrinhado por Lugano, ídolo de função enigmática.

 

Carneiro, por sinal, também estava machucado neste domingo. Ele, Pablo, Liziero, além de Hernanes, que jamais esteve no auge físico desde janeiro. Sem falar em Everton, outro frequentador assíduo do departamento médico. Ele pediu para sair no segundo tempo e Luan acusou incômodo muscular. Quem vai responder por tantos problemas?

 

Cuca teve de remendar na escalação e nas substituições. A estratégia de pressionar a saída do Corinthians durou pouco. Com um adversário também pobre na criação, o São Paulo sofreu pouco em Itaquera. Não foi pressionado. O jogo seguia em ritmo moroso, interessante, portanto, aos visitantes, até Reinaldo inventar uma discussão sem sentido com Gustavo.

 

 

Essa tem se tornado a especialidade do lateral-esquerdo. Quanto mais ele investe no personagem encrenqueiro, pior jogador se torna. Missão para Cuca. Reinaldo tem bons recursos técnicos, mas precisa desistir da ideia de gritar mais do que jogar.

 

O Corinthians abriu o placar com Ralf ganhando de Antony de cabeça e encontrando Danilo Avelar absolutamente sozinho, na pequena área. Erro coletivo. O jovem atacante produziu pouquíssimo, mas esbanjou talento ao dominar, ajeitar e finalizar da entrada da área. Não é fácil vencer Cássio, ainda mais de longe. Seu chute foi preciso. Empate.

 

O segundo tempo teve Hernanes como falso 9 e foi constrangedor ver um jogador que se destacou pela participação intensa tão inofensivo, refém de um meio-campo pouco criativo.

 

+ Hernanes revela tentativa como falso 9 e quer São Paulo com mesmo espírito no Brasileirão

 

Quando nada acontecia – foi assim na maior parte dos 180 minutos de finais –, o São Paulo deu um exemplo de como não fazer as coisas. Minutos finais, o goleiro deixou a área para bater uma falta, seus volantes se posicionaram no campo ofensivo e, no retorno da bola, Sornoza, com liberdade, encontrou Vagner Love livre na área. Arboleda, um dos poucos bons destaques do São Paulo, nem avançou para deixá-lo em impedimento nem se aproximou do atacante. Erro grave para um zagueiro do seu nível.

 

Vagner Love marcou. Porque tem história, é vencedor, é acostumado a jogos grandes. Assim como Cássio, Fagner e Ralf, outros protagonistas do título do Corinthians.

 

A boa notícia para a torcida do São Paulo é que, com esses dirigentes, abril é dezembro. A partir de terça-feira, Cuca montará o time como quiser. Terá a chance de escalar Pato, Tchê Tchê e Vitor Bueno. Em breve, Pablo voltará. Hernanes, um dia, há de voltar a ser o Profeta. Esse combo pode incrementar o talento dos jovens Luan, Liziero, apesar das fragilidades físicas, Igor Gomes e Antony.

 

É tudo novo. Conceitualmente, um horror. Especificamente, a chance de melhora.

 

E se Leco, zero título em três anos e meio como presidente, quiser comemorar a conquista de um são-paulino, pode bater palmas para Rogério Ceni, campeão de novo com o Fortaleza.

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