Mato Grosso, 18 de Setembro de 2019
Esportes
Após acusações de Cabral de suborno, Bubka se defende, e Popov afirma: "Não votei no Rio"
05.07.2019
09:21
FONTE: Globo Esporte

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  • André Durão

Campeões olímpicos, Alexander Popov e Sergey Bubka se defenderam das acusações do ex-governador Sérgio Cabral de terem vendido seus votos na escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. O ex-nadador russo afirmou não ter votado na capital carioca - mas não revelou seu voto. O ex-saltador ucraniano, por outro lado, afirmou não ter sido procurado por Lamine Diack, então presidente da Federação Internacional de Atletismo (Iaaf), para garantir seu voto na candidatura brasileira.

 

- Entendo que para muitos a notícia desta manhã foi um choque. Especialmente para mim, porque não votei no Rio. Eu não participei de nenhuma negociação e não estou familiarizado com o que foi falado nem com essas pessoas. Nunca tive contato com elas – disse Popov, dono de quatro ouros olímpicos, a uma agência russa.

 

O ex-nadador, no entanto, não revela em qual cidade votou na época. Popov afirma que seus advogados estão preparando um comunicado oficial e pede ao menos algum tipo de prova do suborno. “O que mais posso fazer nesta situação? Alguém parece ter lucrado às nossas custas”.

 

Bubka, por sua vez, se defendeu através das redes sociais. Considerado o maior saltador da história, o ucraniano, atual vice-presidente da Iaaf, afirmou nunca ter sido contatado por Diack sobre uma possível venda de seu voto para o Rio de Janeiro.

 

- Eu rejeito completamente todas as falsas acusações feitas pelo ex-governador do Rio de Janeiro, que está cumprindo uma longa sentença de prisão por corrupção. Sr. Diack nunca me contatou sobre meu voto para a cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Meus advogados vão escrever para Mr. Diack para pedir que explique-se sobre as alegações do Sr. Cabral, que atesta erroneamente em seu depoimento que Sr. Diack poderia garantir meu voto. Eu vou instruir meus advogados a usarem todos os meios legais à disposição para garantir meus direitos – afirmou o ex-saltador nas redes sociais.

 

Em nota divulgada ao GloboEsporte.com, o Comitê Olímpico Internacional afirmou que está investigando as acusações de Sérgio Cabral. A entidade afirmou já ter entrado em contato com Popov e Bubka, membros do COI, após o depoimento do ex-governador.

 

Entenda o caso

O ex-governador Sérgio Cabral admitiu pela primeira vez que comprou, por US$ 2 milhões, votos que garantiram a escolha do Rio como sede da Olimpíada de 2016. Em depoimento nesta quinta-feira (4) ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, responsável pela Lava Jato no Rio de Janeiro, Cabral disse que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-prefeito Eduardo Paes não participaram do esquema, mas sabiam dos pagamentos de propina.

 

Em nota, a assessoria de Lula afirmou: "É inverídica e sem provas a referência feita ao ex-presidente Lula pelo ex-governador Sergio Cabral". Paes disse que não teve envolvimento com o caso e não sabia da compra de votos.

 

O interrogatório desta quinta foi um pedido da defesa de Cabral, que pretende colaborar com as investigações da Operação Unfair Play. Ele afirmou que o ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, indicou o presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), Lamine Diack, como intermediário da negociata.

 

No processo, Cabral é acusado pelo Ministério Público Federal de envolvimento em um suposto esquema de compra de votos no Comitê Olímpico Internacional (COI). Os investigadores querem saber se houve fraude na eleição do Rio para receber os Jogos Olímpicos.

 

Além de Cabral e de Nuzman, o ex-diretor do COB Leonardo Gryner e o empresário Arthur Soares Filho, conhecido como Rei Arthur, foram denunciados por corrupção devido à suspeita de compra de votos. As defesas negam. Lamine Diack e o filho dele, Papa, são acusados de intermediar o pagamento de US$ 2 milhões.

 

Entre os nomes citados por Cabral como tendo vendido o voto estão dois grandes nomes da história do esporte olímpico: o ucranianos Serguei Bubka, considerado o maior saltador com vara de todos os tempos, e o nadador russo Alexander Popov, quatro vezes medalhista de ouro olímpico.

 

"O COI tem uma cota de atletas que votam. Além deles, me garantiram o nome do ex-atleta Serguei Bubka (ucraniano) e de Alexander Popov, grande campeão da natação", contou Cabral.

 

Após o encontro, Cabral disse que iria confiar em Nuzman para tratar dessa negociação. Afirmou, no entanto, que iria conseguir um empresário de confiança para fazer os pagamentos necessários para o acordo.

 

"Eu chamei o [empresário] Arthur Soares e falei pra ele da necessidade de conseguir o dinheiro para os votos. Isso foi debitado do crédito que eu tinha com ele. Fui eu que paguei. Eu dei o telefone do Léo [Leonardo Gryner, ex-diretor de operações da Rio 2016], e eles acertaram com esse Papa Diack, filho de Lamine Diack", contou o ex-governador.

 

Cabral disse que, em setembro de 2009, em Paris, dias antes do jantar que ficou conhecido como "Farra dos Guardanapos", Gryner e Nuzman o alertaram sobre a possibilidade de conseguir mais votos para a campanha do Rio.

 

"Em Paris, no hotel, eu fui chamado no canto pelo Léo e pelo Nuzman, que me falaram de um problema. O Nuzman falou que Papa Diack disse que conseguiria mais votos. Ele disse que poderíamos chegar em 9 votos no total. Mas que precisava de mais US$ 500 mil. Eu disse pra ele que seria feito", contou Cabral.

 

O evento citado aconteceu em 14 de setembro e o pagamento teria sido feito no dia 29 do mesmo mês.

 

Diante de Bretas, Cabral afirmou que talvez a compra de votos não fosse necessária para que o Rio fosse escolhido como sede olímpica. Mas o ex-governador questionou: "E se eu não tivesse comprado? Eu não iria ficar nessa dúvida".

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