Mato Grosso, 26 de Maio de 2019
Esportes
Carille x Sampaoli: clássico entre Corinthians e Santos põe técnicos com ideias opostas frente a frente
10.03.2019
07:43
FONTE: Globo Esporte

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  • Sampaoli e Carille

    Timão e Peixe se enfrentam neste domingo, em Itaquera, com dois dos técnicos mais badalados do futebol brasileiro - Foto: Marcos Ribolli

Além do atrativo de um clássico em si, a partida entre Corinthians e Santos, neste domingo, às 16h (de Brasília), em Itaquera, pela 10ª rodada do Campeonato Paulista, colocará frente a frente dois dos técnicos mais badalados do Brasil: Fábio Carille e Jorge Sampaoli.

 

Às vésperas do segundo reencontro na temporada – o primeiro foi em amistoso de pré-temporada terminado em 1 a 1, também em Itaquera – Carille e Sampaoli fizeram questão de admitir, em entrevista coletiva, que ambos têm filosofias e ideias de jogo completamente diferentes.

 

Enquanto Carille arma um Corinthians mais defensivo e utiliza dos contra-ataques com frequência, Sampaoli escala um Santos completamente ofensivo e implanta um sistema em que a posse da bola tem muita importância. Abaixo, o GloboEsporte.com detalha os estilos distintos dos dois treinadores.

 

Fábio Carille

O Corinthians campeão paulista e brasileiro de 2017 está para Carille como a música "Satisfaction" está para a banda Rolling Stones (ou "Evidências" para o Chitãozinho e Xororó, como queiram). É o ponto máximo da carreira, o suprassumo, aquilo que se tenta repetir.

 

O Timão padrão de Carille seria: uma equipe que joga com um jogador como referência; que sabe sofrer, mas que é efetiva nas poucas chances criadas; que pode não ter a maior fatia da posse de bola, mas tem transição ofensiva rápida e eficaz; que constrói o jogo a partir de triangulações de meias e laterais; que tem um volante que pisa a área; e que, defensivamente, sofre poucos gols.

 

– A minha escola (de treinadores) é daquilo que aprendi que dá certo, com característica dos jogadores se encaixando, aprendi com Mano Menezes, Tite, é o que vejo em Simeone e Mourinho, mais de linha de quatro. Dele (Sampaoli), mais de movimentação – disse Carille.

 

 

O Corinthians versão 2019, em construção, ainda não é o que Carille gostaria que fosse.

 

A começar pela defesa: são 15 gols sofridos em 14 jogos, sendo 11 deles em bola aérea. Problema que o técnico já se mostrou um especialista para resolver, mas que pelo excesso de jogos e falta de treinos, ainda não conseguiu. A aposta, então, é na repetição: apesar das críticas a parte do quarteto, Fagner, Manoel, Henrique e Danilo Avelar farão o sexto jogo juntos, bancados pelo técnico.

 

Com uma linha de quatro defensiva bem formada, Carille construiu seus times no 4-1-4-1 ou 4-2-3-1. Em 2018, quando não tinha centroavante, foi campeão paulista na reta final num 4-2-4-0, num time com Rodriguinho em ótima fase. Hoje, aposta num 4-1-4-1 que se assemelha a 4-3-3.

 

Estudioso, Carille desenvolveu a partir do ano passado um olhar ainda mais aguçado para parar seus adversários, o que faz com que ele escale o Corinthians em alguns momentos dependendo da forma como acha que o rival virá. Nunca mudando estilo, apenas nomes e características.

 

Por conta da boa força aérea de Gustagol, o Timão versão 2019 tem insistido muito em cruzamentos para a área. Neste domingo, Boselli será o homem buscado para cabeceios.

 

Jorge Sampaoli

De volta ao estádio em que estreou como comandante do Santos, Sampaoli volta a Itaquera com alguns fatores que beneficiam o Peixe: conhecimento e confiança do elenco, chegada de reforços e motivação pela ótima fase de sua equipe, líder geral do Paulistão até o momento.

 

Já naquele amistoso de pré-temporada foi possível observar que Sampaoli mudaria completamente a forma que o Santos jogou nas últimas temporadas. De lá para cá, viu-se um time em evolução que ganhou corpo com a contratação de seis reforços e, com o passar do tempo, pratica um futebol dos mais vistosos do Brasil.

 

O Santos de Sampaoli se posiciona durante grande parte dos jogos no ataque, com linhas altas, sufocando a saída de bola adversária, e conta com muitas variações táticas e trocas de posição implementadas pelo argentino nos treinos (sempre fechados à imprensa).

 

 

A maior carência do elenco atualmente é a falta de um camisa 9, que tem forçado o treinador a escalar o time com meias (Soteldo, Cueva ou Jean Mota) improvisados na função de falso 9. A vantagem do Peixe se dá por conta da velocidade nas laterais do campo, onde Derlis González, em grande fase, e Rodrygo são as válvulas de escape do Santos.

 

– Conheço bastante o Corinthians. Estamos analisando a partida que já jogamos contra eles, a partida contra o Racing, sabemos que vai ser um clássico intenso, entre equipes com estilos distintos. O Corinthians nos conhece muito bem. Temos que estar muito bem para enfrentar um rival forte em seu campo – disse Sampaoli, após a vitória por 4 a 0 do Santos sobre o América-RN, na última quinta-feira.

 

Em 12 jogos oficiais na temporada, o Santos já marcou 31 gols, média de 2,5 bolas na rede por jogo.

 

Apesar do estilo 100% ofensivo, Sampaoli também conseguiu montar uma defesa consistente, mesmo com a perda de Luiz Felipe e Lucas Veríssimo por lesões. São apenas 10 gols sofridos na temporada, média de menos que um por jogo, sendo que cinco foram sofridos diante do Ituano, no maior e surpreendente tropeço do Santos neste início de temporada.

 

Essa partida também pode ser utilizada como exemplo. Mesmo vendo que seu time sofria na defesa e cedia gols a cada contra-ataque do Ituano, Sampaoli mandava sua equipe avançar e não se fechar para impedir que o vexame ficasse ainda maior.

 

O Santos vai para o clássico já classificado, mas tenta assegurar a liderança geral do Paulistão. São 22 pontos conquistados em nove rodadas e aproveitamento de 81,5%.

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