Mato Grosso, 19 de Setembro de 2018
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Exagero no videogame: doença, transtorno ou dependência?
26.06.2018
09:20
FONTE: R7

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A decisão da Organização Mundial da Saúde (OMS) de classificar a dependência em videogame como uma condição de saúde mental dividiu especialistas.

 

A CID é a base para a identificação de tendências e estatísticas de saúde global. Ela define o padrão internacional para relatar doenças e condições de saúde, além de classificar diagnósticos para todos os fins clínicos e de pesquisa. A CID define o universo de doenças, distúrbios, lesões e outras condições de saúde relacionadas.

 

Ao colocar a dependência de videogames na lista, a OMS passa a tratar o vício neste tipo de jogo como uma questão de saúde mental.

 

Para o psiquiatra Aderbal Vieira Junior, coordenador do Ambulatório de Dependências de Comportamentos da Unifesp, a inclusão do distúrbio do jogo na CID é útil porque a questão precisa ser discutida. “É algo que merece atenção e merece cuidado porque algumas pessoas necessitam de ajuda”.

 

O especialista explica que o fato da dependência estar na CID não significa, necessariamente, que isso seja uma doença. Para ele, o principal objetivo da publicação é orientar diagnósticos.

 

“Toda essa polêmica existe porque as pessoas confundem diagnóstico com doença – na verdade a ideia não é definir o que é doença, mas sim sistematizar diagnósticos. O que a OMS quer dizer é que o uso do videogame está gerando um padrão mal adaptativo, que existe aí uma síndrome que é suficientemente clara e a gente precisa dar um nome a ela”.

 

De acordo com o psiquiatra, o uso dos termos transtorno e distúrbio significa que tem algo errado acontecendo, apesar da ciência ainda não saber exatamente o que é.

 

Ele explica que, para a dependência em algo ou alguém ser diagnosticada é preciso que existem três características.

 

A primeira é a sensação, por parte do próprio paciente, de que ele está perdendo o controle, de que ele precisa daquilo e não consegue ficar sem.

 

A segunda é que existe um prejuízo na vida pessoal e profissional por causa da dependência.

 

A terceira é a constatação de um empobrecimento existencial – o paciente perde amigos, abandona outras atividades e passa a dedicar grande parte do dia ao que causa a dependência.

 

“Quando você tem uma relação que te leva a isso, significa que você desenvolveu um padrão de dependência, não necessariamente que exista um problema neurológico. Transtorno é uma categoria mais leve do que doença”, explica o médico.

 

Compulsão por eletrônicos

O psiquiatra Diego Tavares, do Hospital das Clínicas da USP, não concorda com a decisão de transformar a compulsão por videogame em um transtorno, ou distúrbio relacionado à saúde mental. Ele explica que não existem estudos científicos que apoiam esta classificação.

 

“É um comportamento que ainda não foi estudado pela ciência. A gente percebe que existe uma compulsão por eletrônicos, mas isso é diferente de outros tipos de jogos, na qual a sensação de ganho e perda leva à dependência”, explica.

 

Tavares também faz um alerta: é preciso ter cuidado na hora de transformar comportamentos em doenças porque “comportamentos podem estar ligados a outros problemas como a bipolaridade, que pode levar à compulsão”.

 

O psiquiatra explica que se o paciente bipolar desenvolveu uma compulsão por videogame, o tratamento da bipolaridade pode eliminar o comportamento compulsivo. Mas, nem todas as pessoas que jogam videogame excessivamente têm um transtorno mental.

 

Para o médico, o que dificulta a associação do videogame com doença mental é que, neste tipo de jogo, o indivíduo não tem uma recompensa pela vitória, o que poderia dar ao cérebro uma sensação de prazer e, desta forma, incentivar a busca por mais prazer.

 

Tavares acredita que, antes da classificação, deveriam ser feitos estudos em pessoas que têm uma compulsão por videogame, mas não possuem outros tipos de desordem mental.

 

“O aumento de consumo desses jogos nunca foi descrito de forma isolada, fora do contexto de outros transtornos. Ainda não existem estudos que possam sustentar a ideia de que a compulsão por videogame seja uma doença”, destaca o psiquiatra.

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