Mato Grosso, 19 de Outubro de 2019
Nacional / Internacional
Homem com paralisia cerebral vende balas nas ruas para realizar sonho da faculdade em Franca
06.10.2019
12:18
FONTE: EPTV

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  • Homem com paralisia cerebral vende balas nas ruas para concluir a faculdade de teologia em Franca (SP) — Foto: José Augusto Júnior/EPTV

    Homem com paralisia cerebral vende balas nas ruas para concluir a faculdade de teologia em Franca (SP) — Foto: José Augusto Júnior/EPTV

  • Zezinho cursa teologia em Franca (SP) para ajudar outras pessoas a concretizarem seus sonhos — Foto: José Augusto Júnior/EPTV

    Zezinho cursa teologia em Franca (SP) para ajudar outras pessoas a concretizarem seus sonhos — Foto: José Augusto Júnior/EPTV

O sol forte, o perigo de se locomover entre os carros e o mal humor de alguns motoristas são desafios que José Crispolini Filho, de 37 anos, enfrenta todos os dias para vender balas nas ruas de Franca (SP). Nada disso, porém, desestimula Zezinho, que tem paralisia cerebral e sonha em se formar teólogo.

 

“Hoje, trabalho no sol, mas vai chegar um dia que não vou dar mais conta. Preciso construir uma estrutura para o futuro. É por isso que escolhi teologia, para ajudar as pessoas na questão motivacional. Costumo dizer que somos do tamanho dos nossos sonhos”, afirma.

 

Zezinho tem pouco movimento nos braços e nas mãos, e depende da cadeira de rodas elétrica para se locomover. As limitações são decorrentes da falta de oxigênio no cérebro durante o parto, prematuro. O nascimento ocorreu após a mãe sofrer um acidente vascular cerebral.

 

Além dos desafios da deficiência, Zezinho conta que tinha apenas 10 anos, quando a mãe morreu. A vida difícil não o impediu de seguir atrás do sonho de ter um diploma. Ele concluiu o ensino médio em Patrocínio Paulista (SP), onde nasceu, e se mudou com o pai para Franca.

 

"Eu vendi bala por 10 anos no Centro Comercial, mas percebi que as vendas começaram a cair. Um dia, fui com a minha irmã de criação fazer o trote da faculdade e foi ótimo. Então, pensei: 'Se em um dia consegui arrecadar essa quantia, trabalhar na rua vai ser melhor", diz.

 

O bom desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) fez com que Zezinho conseguisse 50% de desconto nas mensalidades da faculdade - cada parcela é de aproximadamente R$ 600. Para arcar com os estudos e as despesas da casa, ele trabalha 10 horas por dia.

 

"A maioria das pessoas são receptivas, mas existem algumas que veem barreiras ainda, que tem algum tipo de preconceito, acham que, por estar em uma cadeira de rodas, não pode trabalhar. Eu já ouvi inúmeras coisas, tanto positivas quanto negativas", afirma.

 

Adaptada à cadeira de rodas está a bancada com os doces e uma caixa com os dizeres "baú dos sonhos". O cofre de madeira com cadeado foi projetado por amigos de Zezinho, depois que a pochete onde o vendedor guardava o dinheiro foi levada por ladrões.

 

"No frio, me fantasiei de Chaves, porque a boina protegia as orelhas. No calor, estou de mexicano, porque o chapéu tampa o sol. Talvez, seja um tanto quanto ignorante da minha parte dizer, mas acho que só não trabalha quem não quer. Com ideia, criatividade, dá para tocar a vida".

 

Zezinho diz que optou pelo curso de teologia porque também é líder do grupo de jovens da igreja em que participa e sempre procura motivar os colegas, incentivando todos a lutarem pelos sonhos. O vendedor espera que esse trabalho, um dia, tenha uma repercussão ainda maior.

 

"A gente vai até onde deseja ir e a teologia me leva para esse caminho de superação, de busca", explica o vendedor. "E não existe outro caminho para sociedade, que não seja a educação. Não existe outro caminho para o futuro das nossas gerações, só através da educação", finaliza.

 

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