Mato Grosso, 09 de Dezembro de 2019
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O cientista que precisou brigar na Justiça para receber por seu invento revolucionário
25.11.2019
15:44
FONTE: BBC

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  • O cientista que precisou brigar na Justiça para receber por seu invento revolucionário

    Shanks trabalhava em uma multinacional quando criou sua invenção, a partir de um brinquedo da filha — Foto: Ian Shanks/Arquivo Pessoal/BBC

Sua invenção já foi usada por milhões de pessoas. Mas ele só foi compensado por isso décadas depois.

 

Em outubro, a Suprema Corte do Reino Unido decidiu que Ian Shanks, de 72 anos, deve receber 2 milhões de libras (R$ 10 milhões) por ter inventado uma tecnologia pioneira para medir os níveis de açúcar no sangue.

 

Ele o fez em 1982, quando trabalhava em uma filial da multinacional Unilever em Bedfordshire, na Inglaterra, e teve como matéria-prima um brinquedo da filha.

 

Usando filme plástico e tiras de vidro do kit infantil de microscópio da menina, ele criou o primeiro protótipo da tecnologia ECFD, que hoje é aplicada em grande parte dos aparelhos de testes de glicemia.

 

Ele havia iniciado uma batalha legal em busca de reconhecimento em 2006, mas perdeu em todas as instâncias até que o caso chegou à Suprema Corte — esta decidiu, por unanimidade, que a invenção de Shanks deu a seu ex-empregador um "benefício extraordinário" pelo qual ele deveria ser recompensado.

 

Orgulho da invenção

Shanks afirmou, após o julgamento, se sentir aliviado que sua "batalha de 13 anos" tenha terminado, mas lembrou que arcou com muitos custos financeiros no processo, além de custos emocionais.

 

"Em 2007, sofri um ataque cardíaco, e o fato de eu estar sob estresse não ajudava."

 

A Unilever, por sua vez, afirmou por meio de um porta-voz que estava "desapontada" com a decisão judicial que deu a Shanks "direito a uma fatia de lucros obtida pela Unilever para além dos salários, bônus e benefícios que ele recebera enquanto empregado para desenvolver novos produtos para a empresa".

 

Ele diz ter persistido porque sente orgulho do papel que sua invenção tem para os diabéticos e para inspirar futuros inventores.

 

"Quero que funcionários inventores acreditem que, se eles inventarem algo que se torne muito rentável e significativo, terão uma chance de serem recompensados por isso", afirmou.

 

Shanks conta que em 2006, quando entrou na Justiça, nenhum funcionário havia ainda se beneficiado da lei britânica de patentes, criada 30 anos antes.

 

A lei afirma que inventores que criarem algo que dê "benefício extraordinário" a seus empregadores têm direito a uma "fatia justa" desse benefício.

 

O juiz da Suprema Corte Lord Kitchin afirmou, em sua decisão, que Shanks aceitava que os direitos da invenção pertencem à Unilever, mas argumentava que mesmo assim merecia uma compensação.

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