Mato Grosso, 20 de Abril de 2019
Variedades
Por que precisamos falar sobre flatulência
09.04.2019
10:39
FONTE: G1

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  • A médica Paula Silveira Nunes Pereira, titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia e especialista em doenças funcionais do trato intestinal

    — Foto: Mariza Tavares

De repente, rola o constrangimento de não conseguir se segurar e, em português claro, soltar um pum! A situação é mais frequente à medida que envelhecemos, mas não precisamos conviver com ela como se fosse uma condição inerente à velhice. Tive uma aula sobre o assunto com a médica Paula Silveira Nunes Pereira, titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia e especialista em doenças funcionais do trato intestinal, que ensina: “a flatulência afeta a qualidade de vida e o convívio social. O paciente não deve achar que não há o que fazer, uma vez que dispomos de diversas abordagens para combater e controlar o problema”.

 

Para começar, há o envelhecimento natural do corpo. No caso dos intestinos delgado e grosso, ocorrem diversos processos fisiopatológicos, ou seja, alterações associadas à passagem dos anos. Em primeiro lugar, a motilidade diminui, o que significa que o trato gastrointestinal se torna mais lento. Em segundo lugar, também cai o número de enzimas presentes no intestino fino ou delgado, que são fundamentais para a absorção dos nutrientes. Somadas, essas duas dificuldades indicam que o organismo tem menos recursos (as enzimas) e vai levar mais tempo (a falta de motilidade) para processar o alimento e eliminá-lo. Isso dá espaço para que as bactérias que vivem no intestino grosso fermentem, porque há “matéria-prima” de sobra para elas, provocando a flatulência.

 

No entanto, a situação piora com medicamentos que alteram a flora intestinal, afetam a motilidade e a absorção de nutrientes. A lista é grande: antibióticos, cuja prescrição é comum para idosos; antiinflamatórios, muito utilizados para dores articulares; antidepressivos; e remédios para demências e Mal de Parkinson, entre outros. Em portadores de diabetes, aumenta o risco de um quadro de supercrescimento de bactérias no intestino delgado. Em tese, esse é um ambiente estéril, isto é, onde isso não deveria acontecer, mas a doença propicia a condição. Atualmente já está disponível o exame chamado teste respiratório do hidrogênio expirado, que mede o gás produzido nessa fermentação.

 

Exercitar-se, como sempre, é um santo remédio. “O exercício faz parte da terapêutica, porque melhora o funcionamento do intestino”, afirma a doutora Paula. Há alimentos saudáveis que facilitam a produção de gases, como feijão, brócolis ou couve-flor. Por isso, não se deve optar por uma dieta restritiva a ponto de impactar na nutrição do paciente. “É importante fechar o diagnóstico correto”, completa a médica, “para adotar o tratamento adequado, que pode incluir mudanças na alimentação e a introdução de probióticos, que contêm as bactérias ‘boas’, além da atividade física”.

 

Ela conta que é comum que a pessoa chegue ao consultório com uma queixa imprecisa: “o paciente diz que tem muitos gases, sofre de eructação (arrotos) e distensão abdominal, aquela sensação de barriga inchada, mas somente investigando as causas será possível buscar uma solução. Da boca até o reto, temos uma grande área percorrida pelo alimento, onde pode ocorrer um efeito cascata de problemas. Basta lembrar que, já na boca, a qualidade da saliva e da dentição é fundamental para que a comida chegue ao estômago num estado que não sobrecarregue o órgão”. Os estudos sobre os distúrbios funcionais, que vão da constipação (a prisão de ventre, tema de uma coluna recente) à hipersensibilidade visceral, se ampliaram tanto que há congressos voltados especificamente para esse campo da ciência.

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