Mato Grosso, 21 de Novembro de 2019
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Próteses mamárias x linfoma: Dra. responde às 5 perguntas mais recorrentes
31.07.2019
10:37
FONTE: Karyna Credidio / Tudo em Pauta

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  • Foto ilustrativa: Reprodução

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  • Dra. Fernanda Torras - Foto: Divulgação

    Dra. Fernanda Torras - Foto: Divulgação

Em fevereiro deste ano, a autoridade sanitária americana, Food and Drugs Administration (FDA) emitiu um alerta sobre a incidência de linfoma anaplásico de grandes células (BIA-ALCL) em mulheres com próteses de silicone texturizados, pois de acordo com o documento, a doença se prolifera a partir da cápsula fibrosa que se forma em torno da prótese.

 

No último dia 24, a FDA soltou um comunicado recomendando o recolhimento dos implantes da marca ALLERGAN do tipo BIOCELL de macrotextura. Ontem, 25, a fabricante anunciou recall mundial das próteses e expansores de tecido da linha Natrelle, feitos com a textura Biocell. A ANVISA também suspendeu a venda de 3 produtos da marca: Natrelle Expansor Tissular Texturizado e acessórios (lotes a partir de 25/4/2017), Natrelle Implante Mamário Texturizado Allergan (todos) e Natrelle Implante Mamário Duplo Lúmen e acessórios (todos).

 

Os linfomas de mama compreendem um grupo raro de tumores mamários malignos; o BIA-ALCL (da sigla em inglês “breast implant-associated anaplastic large cell lynphoma”) – linfoma anaplásico de grandes células associado a implante de mama - é uma patologia do grupo dos linfomas, que vem emergindo como uma doença potencialmente subdiagnosticada.

 

Em apenas 1 ano (período de setembro de 2017 a setembro de 2018), a agência reguladora recebeu 246 novos relatos de  linfoma anaplásico relacionados ao silicone. Quase 60% dos casos envolviam seroma (acúmulo de líquido embaixo da pele) e 30% inchaços mamários ou dor no seio. Também foram informadas nove mortes associadas à doença.

 

Acredita-se que a fisiopatologia esteja relacionada a uma inflamação crônica por infecções indolentes e subclínicas, levando à transformação maligna das células T.

 

A apresentação clínica mais frequente é o aparecimento de coleção peri-implante/prótese de 1 a 10 anos após a colocação, sem história de trauma ou outro motivo mais evidente. Esta é apresentação em cerca de 66% dos casos e em geral chamamos essa situação de seroma tardio. Uma forma de apresentação mais rara é o aparecimento de massa mamária isolada, em 8% dos casos.

 

Para tirar as dúvidas de mulheres que tem implantes, a Dra. Fernanda Torras, ginecologista, obstetra e mastologista responde às perguntas mais comuns que recebe no consultório.

 

Como saber se tenho este tipo de prótese?

Quando é feita a cirurgia para colocar os implantes, a paciente leva um livro da prótese com o número do lote, nome do fabricante e modelo de prótese. Caso a paciente perca o comprovante, é possível tentar recuperar a informação na documentação médica do consultório e/ou hospital.

 

Quais as chances de uma mulher com próteses texturizadas tem de desenvolver linfoma?

Com base em dados confirmados e vendas de implantes nos últimos 20 anos, estima-se que a relação é de 1 entre 30.000 mulheres.

 

A mulher que tem prótese texturizada deve se submeter a uma cirurgia para trocá-la?

Não há indicação para troca destes implantes, ainda que das marcas informadas e suspensas do mercado. Tanto a Sociedades de Mastologia quanto a de Cirurgia Plástica tem a mesma orientação.

 

Quais são os sintomas e como identificar a existência de linfoma?

O sinal mais comum associado ao Linfoma de Grandes Células relacionado a próteses é seroma (acúmulo de líquido) ao redor do implante, principalmente de aparecimento tardio (anos após a cirurgia), fazendo a mama apresentar inchaço, dor e inflamação.

 

Em caso de confirmação de diagnóstico da doença, a fabricante pode ser responsabilizada?

Se for confirmado o linfoma e comprovado que ele se desenvolveu devido ao tipo de prótese usada, é possível que a fabricante pode ser acionada e responsabilizada.

 

 

Sobre Dra. Fernanda Torras

Com formação pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos, aperfeiçoamento em mastologia e oncoplástica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, especializações em ginecologia e obstetrícia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia e mastologia pela Sociedade Brasileira de Mastologia.

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