Mato Grosso, 17 de Novembro de 2018
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Um em cada 5 brasileiros que usam dentadura tem entre 25 e 44 anos
29.08.2018
09:17
FONTE: R7

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Um em cada cinco brasileiros que usam dentaduras tem entre 25 e 44 anos. Os números são do Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística) e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e revelam como o brasileiro cuida — ou deixa de cuidar — da saúde bucal.

 

Em 2017, 39 milhões de brasileiros usavam algum tipo de prótese dentária, seja a parcial fixa ou removível, que substitui um número de dentes, ou a total — as chamadas dentaduras, que substituem todos os dentes.

 

Entre estes usuários de prótese, 59% são mulheres, 16% estão nas classes A e B, 52% estão na classe C e 32% fazem parte das classes D e E.

 

A idade dos usuários também chama a atenção. Enquanto 80% têm mais de 45 anos, pelo menos um em cada cinco tem entre 25 e 44 anos. São jovens e adultos que perderam os dentes e precisaram recorrer às próteses para garantir a qualidade de vida e a autoconfiança.

 

O número de brasileiros que vive sem nenhum dente na boca é de 16 milhões (11% da população adulta), segundo o IBGE. Entre as pessoas com mais de 60 anos, 41,5% já perderam todos os dentes.

 

Má higiene e alimentação contribuem para perda de dentes

De acordo com a dentista Tânia Lacerda, da Câmara Técnica de Odontogeriatria do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo, dois fatores podem levar à perda de dentes: o trauma e a má-higiene bucal.

 

Trauma é quando a pessoa perde os dentes por causa de uma batida forte, um acidente. Já o caso da má higiene bucal é causada pela falta ou a má escovação e do não uso do fio dental. Dentistas recomendam que uma pessoa escove os dentes pelo menos três vezes por dia: depois do café da manhã, do almoço e do jantar. O ideal é que o fio dental acompanhe a escovação — se não for possível, que ele seja usado, pelo menos, todas as noites.

 

A dentista afirma que a má higiene pode causar três problemas que podem levar à perda de dentes: a cárie, a gengivite — que é a inflamação na gengiva —  e a doença periodontal (uma inflamação no tecido ósseo que sustenta o dente).

 

Outro número de chama atenção é o de brasileiros que vivem sem nenhum dente na boca: 16 milhões

 

Além da falta de escovação, a dieta também pode contribuir para a perda do dente. Tânia afirma que os motivos pelos quais os brasileiros perdem os dentes mudaram nos últimos anos. Antigamente, não existia água encanada tratada e fluoretada, que ajuda a proteger os dentes. Além disso, também não era comum a aplicação de flúor na escola ou no dentista, a escovação frequente e o uso do fio dental. “Hoje muitos brasileiros têm estes hábitos, mas a nossa dieta está mais ácida, rica em ultraprocessados e carboidratos. Isso muda o pH [índice de acidez] da boca”, diz.

 

Segundo a dentista, o alto consumo de refrigerantes, sucos industrializados e isotônicos, bebidas mais ácidas, pode comprometer o esmalte dos dentes, causar desgaste e erosão.

 

Alguns tipos de alimentos ricos em carboidratos podem favorecer o surgimento de cáries: são os chamados alimentos cariogênicos, ou açúcares livres. Entre eles estão os pães e as massas feitas com farinha branca. Na boca, eles se unem a uma série de micro-organismos e passam por um processo de fermentação que produz ácido e pode comprometer o esmalte do dente e facilitar o surgimento da cárie. O acúmulo de sujeira, de placa bacteriana, também leva às inflamações na gengiva e no tecido ósseo que sustenta o dente.

 

Perda de dentes compromete o envelhecimento saudável

Uma pesquisa encomendada pela marca Corega e desenvolvida pela Edelman Insights mostra que, para as pessoas que estão em fase de envelhecimento, a perda dentária é a segunda questão que mais afeta a qualidade de vida — a primeira são as dores no corpo.

 

O estudo ouviu 600 pessoas com idade entre 45 e 70 anos, entre maio e junho deste ano, em quatro países da América Latina, incluindo o Brasil. O objetivo era entender como a autoestima, as relações sociais e a qualidade de vida são impactadas pela perda de dentes na terceira idade.

 

Entre os brasileiros, 42% disseram que não vivem a vida ao máximo por causa da perda de dentes e 32% disseram que a falta de dentes impede de ter um estilo de vida mais saudável e ativo.

 

Para 38%, o sabor dos alimentos piorou e 40% têm dificuldade de experimentar alimentos novos.

 

O problema também afeta a fala: 41% relataram dificuldade em pronunciar algumas palavras e 54% se sentem menos confiantes para sorrir ou gargalhar em público.

 

A intimidade também ficou comprometida. A perda de dente atrapalha 43% dos entrevistados na hora de paquerar ou namorar e 40% têm vergonha de beijar na boca. Entre os casados, 23% se afastaram do marido ou da esposa depois que perderam os dentes.

 

A dentista Tânia Lacerda explica que para uma prótese contribuir para a melhora na condição de vida é preciso que ela tenha sido desenvolvida por um profissional, um dentista especialista em próteses que vai estudar o formato do rosto do paciente e definir como devem ser os dentes, o mais próximo possível dos dentes que a pessoa tinha antes.

 

Além disso, é preciso que o paciente esteja consciente de que o retorno ao dentista deve ser regular, a cada seis meses, para avaliação e manutenção da prótese. “Uma prótese mal ajustada pode causar problemas graves como a perda óssea, além de dificultar a fala e a mastigação”, afirma a especialista.

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