A atriz Angelina Jolie acaba de divulgar sua opção por retirar preventivamente as duas mamas. A mãe da estrela de Hollywood desenvolveu um câncer de mama letal, mas sua decisão polêmica surgiu após receber o resultado de uma pesquisa genética, em que ficou comprovada a mutação no gene BRCA1, que eleva em 87% o risco de desenvolver câncer de mama. De acordo com o pesquisador José Bines, do Instituto Nacional do Câncer (Inca), na maioria dos casos, a cirurgia não é o procedimento mais indicado:
“Somente de 5 a 10% dos casos da doença são hereditários. O fato de apenas um familiar de primeiro grau ter desenvolvido a doença não eleva o substancialmente o risco, se for comparado a pessoas que não possuem nenhum histórico familiar para o câncer de mama”.
Caso da atriz é específico e não vale para a maioria da população
De acordo com o especialista, a suspeita de câncer hereditário acontece quando mais familiares próximos desenvolveram a doença, especialmente muito jovens, ou apresentam tumores nas duas mamas, e ainda quando algum familiar detectou câncer na mama e nos ovários. O pesquisador explica que, nestes casos, o aconselhamento genético pode ser viável para detectar a presença de mutações dos genes. Para José Bines, “o caso da atriz Angelina Jolie é muito específico e não pode servir como exemplo para a maioria da população”.
Adiar a gravidez pode aumentar a incidência de câncer de mama
No caso de um resultado positivo no exame genético, o pesquisador explica que existem diferentes condutas. “A retirada completa das mamas é um dos procedimentos indicados nestes casos, mas não é o único”. De acordo com o mastologista Rodrigo Souto, do Centro Oncológico de Niterói, “a retirada dos ovários também é uma possibilidade. O órgão é responsável pela produção do hormônio estrogênio, que pode promover o crescimento do tumor maligno na mama”. José Bines completa: “Esta técnica reduz em 50% o risco de desenvolver tumores malignos nos seios”. O pesquisador do Inca também explica que é possível acompanhar a existência de tumores ao longo da vida da mulher através de métodos de diagnóstico por imagem, sem cirurgias preventivas.