A badalação é um conceito comum à maioria dos jogadores de futebol. Chuteira colorida, corte de cabelo da moda, carro último tipo e vida social tão comentada quanto a de dentro do campo são mantras de quase todos que tentam realizar sonhos através da bola. Não para Léo Gago. Avesso a festas e fã de um carteado em vez das partidas virtuais no videogame, ele se torna assunto pelo trabalho realizado em campo.É assim que o volante virou referência no Grêmio de Vanderlei Luxemburgo. Referendado pela presença nas grandes vitórias e pelas ausências nas eliminações do Gauchão, o camisa 8 é considerado insubstituível. Nem assim muda o perfil. Se define como um carregador de piano. A julgar pela temporada 2012, um operário com grife.
Quem não quer o Grêmio?
Léo Gago, 29 anos, natural de Campinas, surgiu "tarde" para o futebol. Destaque no Avaí de Silas, que terminou o Brasileirão 2009 em sexto lugar, o volante mostrou a sua cara: discreto, mas eficiente. É assim que tem 49 gols na carreira - atuou em clubes como Coritiba, Vasco, Paraná, Fortaleza e Ceará. A negociação com o Grêmio, aliás, foi o primeiro indício de que acreditava no sucesso mesmo com uma passagem apagada por São Januário.
- Terminei 2011 muito bem no Coritiba. Fomos campeões estaduais, chegamos à final da Copa do Brasil e tinha muitas propostas. Quando soube do interesse, lembrei do Tcheco e do Pereira (companheiros de clube com passagens pelo Olímpico). Eles sempre falavam da estrutura e da torcida com um entusiasmo incrível. Queria sentir isso também. Quando o (Paulo) Pelaipe (diretor executivo de futebol) me ligou perguntando se tinha interesse, respondi: 'Tá maluco? Quem não quer jogar no Grêmio?'. Queria provar para mim mesmo que poderia ser titular de um time grande - conta Léo.
A contratação foi pedida por Caio Júnior, mas caiu como uma luva no esquema de Luxa. O jogador, canhoto, atua pelo lado esquerdo do meio-campo. Dá proteção à defesa e abastece o ataque.
Tem seis gols em 23 jogos. Quando não atuou, o time sentiu. Perdeu e foi eliminado no Estadual para Caxias e Internacional.
- Acho que é coincidência. Me considero um carregador de piano: aquele cara que rouba a bola e serve o ataque. O importante é o time. Quando todos correm e dão opção de passe, o nosso time controla o jogo. Temos qualidade - descreve.
O chute forte é outra característica. Conclusões de fora da área e em cobranças de faltas aumentaram o leque de opções de ataque do time. Algo que não só manteve como cultivou desde 2003, ano em que defendia o Campinas e que marcou sua troca de posição: deixou a meia para virar volante a pedido do técnico Edimar.