Mato Grosso, 31 de Outubro de 2020
Economia / Agronegócio
Com pandemia, lucro dos bancos recua 32% no 1º semestre, para R$ 40,8 bilhões, revela BC
15.10.2020
09:16
FONTE: G1

IMPRIMA ESSA NOTÍCIA ENVIE PARA UM AMIGO

  • Com pandemia, lucro dos bancos recua 32% no 1º semestre, para R$ 40,8 bilhões, revela BC

    Foto: Reprodução

O lucro líquido das instituições financeiras somou R$ 40,8 bilhões no primeiro semestre deste ano, o que representa uma queda de 31,9% em relação ao mesmo período de 2019, informou nesta quinta-feira (15) o Banco Central por meio do Relatório de Estabilidade Financeira.

 

Segundo a instituição, o recuo do lucro dos bancos nos seis primeiros meses deste ano está relacionado com os efeito da pandemia da Covid-19, com impacto a partir de março.

 

Refletindo a queda do lucro líquido, informou o BC, a rentabilidade do sistema financeiro caiu para 11,2% no primeiro semestre de 2020, em comparação com 17,8% no mesmo período do ano anterior, uma queda de 6,6 pontos percentuais.

 

"A rentabilidade dos bancos apresentou forte redução, notadamente em razão do aumento das despesas com provisões (recursos apartados no balanço para fazer frente a eventuais perdas)", informou o BC.

 

Segundo a instituição, o nível de provisões para fazer face a perdas esperadas com "ativos problemáticos" é um dos mais elevados desde o final de 2014.

 

O BC acrescentou que a pandemia também afetou as receitas de serviço, porém com efeitos menos relevantes sobre o resultado dos bancos.

 

A instituição ressaltou, porém, que a pandemia eclodiu em um momento em que a rentabilidade bancária já havia se recuperado dos efeitos da recessão de 2015 e de 2016, o que "permitiu a absorção de despesas com provisão em nível semelhante ao observado durante aquela recessão, sem transtornos para o sistema".

 

Por conta disso, o BC avaliou que, mesmo com a queda, a rentabilidade do sistema "permanece em patamares que não representam risco significativo para a estabilidade financeira".

 

"Os níveis de rentabilidade atuais continuam em patamares que permitem aos bancos manterem os índices de capital adequados e o suprimento de crédito à economia real", acrescentou.

 

Expectativa para o futuro

Segundo o BC, a expectativa para o segundo semestre deste ano é de estabilidade da rentabilidade do sistema. "Essa perspectiva está ancorada, sobretudo, na possibilidade de menor necessidade de provisionamento, na queda do custo de captação e na recuperação gradativa da atividade econômica", informou.

 

No entanto, também avaliou que a "incerteza quanto ao cenário para 2021 continua elevada".

 

"O cenário deve ficar mais claro conforme as medidas temporárias de combate à crise (tais como os prazos de carência concedidos pelas IFs em operações de crédito e os auxílios emergenciais) forem sendo removidas, o que permitirá ter uma dimensão mais precisa sobre os efeitos da pandemia da Covid-19 na inadimplência do sistema", concluiu.

 

Medidas adotadas

O BC avaliou ainda que as medidas adotadas pelo governo "foram importantes para preservar a solvência e a resiliência do sistema bancário no enfrentamento dos efeitos adversos da Covid-19 e para permitir que o Sistema Financeiro Nacional (SFN) atravessasse o período agudo de estresse, sempre com baixo risco de liquidez".

 

Em março deste ano, o BC divulgou as principais medidas de combate aos efeitos da pandemia, com liberação de recursos ao sistema financeiro. Ao todo, mais de R$ 1,2 trilhão foi liberado.

 

Informou, ainda, que a atualização do chamado "teste de estresse" (simulações para testar eventuais problemas no sistema financeiro) para estimar os efeitos do choque da Covid-19 nos agentes da economia real demonstra "impacto expressivo, porém menor" que o publicado relatório de estabilidade financeira anterior, de abril deste ano.

 

"O fator que mais contribui para essa melhora foi a recuperação dos fluxos de recebimento de vários setores da economia até agosto de 2020, após a queda acentuada em abril e maio. Esses resultados corroboram a capacidade do sistema financeiro nacional para absorver os choques provenientes dos efeitos da pandemia, mesmo sob hipóteses severas", concluiu.

IMPRIMA ESSA NOTÍCIA ENVIE PARA UM AMIGO

NOTÍCIAS RELACIONADAS
ENVIE SEU COMENTÁRIO