Mato Grosso, 28 de Janeiro de 2022
Economia / Agronegócio
Crise fecha 600 lojas no Centro do Rio de maio a novembro, diz CDL-RJ
05.11.2015
10:56
FONTE: G1

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  • Cinema pornô registra queda de movimento
O número de lojas fechadas no Centro do Rio chegou a 600 nos últimos seis meses de acordo com dados do Clube dos Diretores Lojistas (CDL-Rio) e do Sindicato dos Lojistas do Rio (Sindilojas). É praticamente metade dos 1 mil e 300 estabelecimentos comerciais fechados no município. Em algumas regiões a situação é mais grave, como na tradicional Rua da Carioca, símbolo do Rio Antigo e onde ainda estão abertos estabelecimentos centenários como o Bar Luiz, a Loja Vesúvio e o Cine Íris, um dos últimos remanescentes dos cinemas pornôs do Centro.

O dono do cinema, Raul Pimenta, disse ao G1 que a queda do movimento é de 20%. Na Vesúvio, especializada em guarda-chuvas, a queda no movimento chega a 50%, segundo Armando Lauri Júnior, um dos sócios da loja. Dos cerca de 60 imóveis da rua, 22 estavam fechados até o início de novembro. Para driblar o problema, a maioria decidiu fechar as portas as 18h, uma hora mais cedo do que o horário habitual.

A crise econômica e a especulação imobiliária, que provocam a alta de aluguéis comerciais em toda a cidade, são apontadas como os principais motivos, afirma Aldo Gonçalves, presidente do CDL. Já para os comerciantes da Rua da Carioca, o agravamento da crise do comércio na rua não é só a especulação imobiliária iniciada em 2012, quando o Banco Opportunity comprou 18 imóveis na rua e aumentou os aluguéis a preços que se tornaram inviáveis.

Os últimos estabelecimentos a baixar as portas na Rua da Carioca foram a Livraria Solário, que funcionava no número 33 há 18 anos, e duas lojas de eletrodomésticos de grandes redes. O dono da livraria torce por uma  revitalização da área e faz planos para a recuperação do prédio tombado. "Quero renovar, fazer um café para trazer mais gente. Viver só de livros não está dando", afirmou.

O dono da Vesúvio, comércio que existe no mesmo endereço há 69 anos, não é tão otimista. Ele conta histórias dos aúreos tempos da loja sempre lotada e diz que eles têm que vender para clientes em outros estados para conseguir sobreviver. “ Nossa atividade econômica é tombada. Nós construímos uma história e é triste ver como está agora. Acredito que o futuro da rua é negro”, afirmou .

O G1 esteve no local e conversou com comerciantes de diferentes ramos. A maioria aponta a insegurança, com aumento dos assaltos, e mudanças na linha de ônibus e retiradas de paradas como os principais problemas para a crescente decadência da rua.

"Olha isso aqui. Está vazio, não passa ninguém. Não era assim em outros tempos. Todos os dias a gente tem uma história de violência", desabafa Carlos Cardiano, dono da livraria O Acadêmico do Rio.  Segundo ele, o carro da polícia que ficava na esquina da Rua Paraguai com Rua da Carioca foi retirado há cerca de um mês, aumentando os registros de assaltos. 

Também o pequeno comércio, como os de venda de plantas na Rua Verde, criada na década de 80, passa por dificuldades. Claudia Flores, dona de seis boxes, relembra os melhores anos do espaço. "Não tinha violência. Eu já fui assaltada várias vezes, o cliente deixa de vir. Eu diversifiquei meu negócio e passei a atender pela internet e pelo telefone". Por causa da queda do movimento, ela hoje só tem um vendedor trabalhando. "Começamos aqui com seis, mas não dá para manter", disse.

Durante cerca de três horas em que esteve na Rua da Carioca, a reportagem do G1 não viu carros da polícia ou patrulhamento a pé. A Polícia Militar informou que, de acordo com o comandante do 5º BPM (Praça da Harmonia), o policiamento no Centro da cidade segue reforçado com homens e carros baseados em pontos estratégicos e fazendo rondas. 

Segundo o comando, houve aumento do policiamento a pé. Além disso, policiais com bicicletas reforçam o patrulhamento. Esse tipo de policiamento dá mais agilidade na resolução das ocorrências.

Na página de uma grande imobiliária que anuncia imóveis vazios no Centro, os preços cobrados por espaços de cerca de 200 metros quadrados variam entre R$ 20 mil e R$ 40 mil. "São aluguéis altos que muitos não estão conseguindo pagar", avalia Roberto Cury, presidente da Sociedade dos Amigos da Rua da Carioca (Sarca). 

Ele aponta a especulação imobiliária como o maior problema. Segundo Cury, a insegurança não acontece só no Centro. "Ela está em outros locais do Rio". Ele relembra que a rua já contou com segurança privada e a ideia foi abandonada porque houve uma redução da contribuição por parte dos comerciantes. "Hoje temos contribuição de 30 lojistas e já fomos mais de 300 associados", explicou.

Saara: queda de vendas

Em outra região do Centro da cidade, no comércio popular da  Saara - Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega -  os comerciantes também reclamam de queda de vendas.

O principal motivo são as obras de revitalização do Centro para a implantação do veículo leve sobre trilhos (VLT), e a crise econômica. "Nós temos uma variedade de serviços e produtos, mas o fechamento de ruas de regiões como a Praça da República e a Rua da Constituição contribuem para o sumiço dos clientes", afirma Denys Darzi, presidente do Polo Comercial do Saara.

Segundo Darzi, dono de cinco lojas de tecidos de decoração na Saara, as vendas começaram a cair em junho, logo após o início das obras do VLT.  "Começamos perdendo 3,5% em junho e chegamos a 26% em setembro. Tenho contatos com outros comerciantes que estão passando pelo mesmo problema", disse.

O Saara reúne cerca de 800 estabelecimentos que vão da gastronomia até a venda de joias. O presidente do Polo Rio explicou que também houve uma explosão no preço dos aluguéis na região. Uma loja de dois andares, com cerca de 200 metros quadrados, pode ser alugada por cerca de R$ 15 mil . "É alto. Esses imóveis precisam de reforma e quem aluga tem que custear essas reformas", disse.

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