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Mato Grosso está entre os estados brasileiros com maior proporção de domicílios conectados à internet. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua TIC 2024, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 95,7% dos lares mato-grossenses tinham acesso à rede.
O avanço amplia o acesso à informação, educação, serviços e oportunidades, mas também acende um alerta para os efeitos da hiperconectividade na saúde mental.
A preocupação ocorre em um cenário de crescimento dos afastamentos por transtornos mentais e comportamentais no Brasil. Embora o problema tenha várias causas, como fatores sociais, econômicos, familiares, individuais e ligados ao trabalho, o excesso de estímulos digitais tem sido apontado como mais um elemento de sobrecarga no dia a dia.
Notificações constantes, troca rápida entre aplicativos, mensagens, redes sociais e demandas de trabalho ou estudo podem dificultar a concentração e aumentar a sensação de cansaço mental.
De acordo com o médico psiquiatra Marcelo Generoso, o cérebro precisa selecionar o que é importante e bloquear estímulos irrelevantes. Quando esse processo acontece de forma contínua, em um ambiente de alertas e interrupções, podem surgir exaustão mental, queda de concentração e piora da eficiência cognitiva.
A chamada fadiga cognitiva não é, necessariamente, um diagnóstico psiquiátrico formal. O termo descreve um estado de esgotamento mental associado ao uso prolongado de atenção, memória de trabalho e controle executivo. Na prática, pode aparecer como dificuldade de concentração, lapsos de memória recente, irritabilidade, sensação de mente “cheia”, raciocínio mais lento e maior esforço para realizar tarefas simples.
O psiquiatra explica que checar notificações o tempo todo fragmenta a atenção e pode prejudicar o foco, o aprendizado e a organização das informações. Para funcionar melhor, o cérebro precisa de períodos de continuidade, sem interrupções constantes.
Entre as medidas recomendadas estão criar pausas sem telas ao longo do dia, evitar celular durante refeições e antes de dormir, organizar blocos de foco para trabalho ou estudo, silenciar notificações não urgentes e preservar o sono. Também é importante observar sinais persistentes, como ansiedade, irritabilidade, queda de desempenho, alterações no sono e cansaço mental constante.
Quando os sintomas começam a prejudicar trabalho, estudos, sono ou relações pessoais, a recomendação é buscar avaliação profissional. A análise pode ajudar a identificar quadros como ansiedade, depressão, estresse, alterações do sono ou burnout, especialmente quando o sofrimento está ligado ao ambiente ocupacional.
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