Mato Grosso, 02 de Abril de 2020
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Menor exposição ao ar poluído pode reduzir em 15% o risco de depressão
19.12.2019
09:14
FONTE: G1

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  • Menor exposição ao ar poluído pode reduzir em 15% o risco de depressão, aponta estudo

    Turistas tiram fotos com a poluição atmosférica tomando o céu do famoso horizonte de Hong Kong. Os meses de inverno trazem regularmente pior qualidade do ar para Hong Kong e outras partes da região devido à direção do vento e às condições climáticas — Foto: Anthony Wallace/AFP

Uma menor exposição a materiais particulados, presentes no ar poluído, pode reduzir em até 15% o risco de depressão e suicídio, aponta um estudo da University College London (UCL) publicado nesta quarta-feira (18) no periódico “Environmental Health Perspectives”.

 

O artigo “Exposição à poluição do ar (materiais particulados) e associações com depressão, ansiedade, bipolaridade, psicose e risco de suicídio” afirma que se fosse reduzida a concentração de materiais particulados no ar – de 44 microgramas por metro cúbico para 25 microgramas por um período maior do que um ano –, o risco de depressão poderia cair 15%.

 

A poluição do ar contém diversos poluentes, entre eles os materiais particulados, gases poluentes e compostos metálicos e orgânicos. A análise do estudo se concentra nos materiais particulados, que contêm sulfato, nitrato e carbono negro, e estão associados a uma maior recorrência de problemas de saúde relacionados à poluição. Trata-se de pequenas substâncias, de diâmetro de 2,5 a 10 micrômetros e partículas ultrafinas, com menos 1 micrômetro de diâmetro.

 

"Nós sabemos que algumas das menores partículas do ar poluído podem navegar pelo sistema sanguíneo até o cérebro, mas os cientistas ainda não entendem completamente como a poluição pode afetar a saúde mental. Um dos mecanismos mais prováveis para explicar isso é a inflamação dos tecidos cerebrais, o que é associado ao aparecimento de doenças mentais, ao aumento do risco de depressão e a mudanças na produção do hormônio do estresse (cortisol)", afirma a autora do estudo, Isobel Braithwaite, em entrevista ao G1.

 

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores da UCL fizeram uma revisão de estudos em inglês publicados ao longo de 43 anos (de 1974 a setembro de 2017) em seis periódicos científicos com foco na poluição do ar e materiais particulados e suas relações com doenças mentais.

 

Entre as 1826 citações encontradas, 22 atenderam aos critérios e 9 foram incluídas na meta análise. Os estudos envolveram uma população adulta, acima de 18 anos. Foram excluídas análises envolvendo grávidas e crianças e doenças relacionadas ao uso do cigarro ou à atividade profissional.

 

"Nós analisamos 22 artigos na íntegra, detalhamos suas descobertas e avaliamos a qualidade desses estudos, mas eles envolvem uma série de diferentes resultados em saúde mental, bem como diferentes tipos de material particulado. Pudemos incluir 5 estudos na meta-análise que tratam da associação entre depressão e a exposição a longo prazo ao PM2.5 (materiais particulados de 2,5 micrômetros de diâmetro) e outros 4 na meta-análise sobre a associação entre exposição a PM10 a curto prazo e risco de suicídio", afirma Braithwaite.

 

Poluição do ar

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a poluição do ar causa a morte de 7 milhões de pessoas ao ano, devido às partículas finas que penetram no pulmão e no sistema cardiovascular, causando acidentes vasculares cerebrais, doenças cardíacas, câncer de pulmão, infecções respiratórias, entre elas, pneumonia. Nove em cada dez pessoas respiram ar altamente poluído no mundo, afirma a OMS.

 

O estudo da UCL cita evidências de que inflamações no sistema nervoso central, causada pelas micropartículas, estão associadas a patologias como depressão e psicose. Outros estudos também apontam relação entre as micropartículas e menor desenvolvimento cognitivo, aumento do risco de demência e de estresse.

 

“O estudo aponta evidências de que animais e humanos expostos a materiais particulados são induzidos ao estresse oxidativo e à inflamação do sistema neurológico, assim como a neuro toxicidade está associada à mudanças na estrutura do cérebro. Também foram encontrada evidências de que a produção do hormônio do estresse está associada à exposição a materiais particulados”, diz o artigo.

 

Emissão de gases poluentes

Apesar das evidências científicas apontando os riscos à poluição do ar, tanto em relação ao aquecimento global quanto em relação à saúde das pessoas, a mais recente Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU) terminou sem que os países definissem "compromissos mais ambiciosos" para reduzir as emissões de gases poluentes. O tema deve voltar à pauta em 2020, na próxima COP, que será realizada em Glasgow, na Escócia.

 

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) divulgou em agosto um relatório em que dizia que "mudanças sem precedentes" são necessárias para limitar o aquecimento do planeta a 1,5 °C em relação ao nível pré-industrial. O aquecimento é causado pelo efeito estufa provocado pelos gases poluentes.

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