Mato Grosso, 22 de Outubro de 2021
Política
Mesmo com o aumento da pobreza menstrual, Bolsonaro veta distribuição gratuita de absorventes
11.10.2021
09:38
FONTE: Redação com Agência Brasil

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  • Foto: Agência Brasil

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O presidente Jair Bolsonaro vetou a distribuição gratuita de absorventes íntimos.

 

O projeto, aprovado em setembro pelo Congresso Nacional, previa que o item seria entregue a estudantes de baixa renda de escolas públicas, pessoas em situação de rua ou vulnerabilidade social e detentas.

 

O presidente argumentou que não há dinheiro para custear o produto, e que a iniciativa não atendia ao princípio de universalidade do SUS, Sistema Único de Saúde.

 

Especialistas em saúde e advogados discordam das justificativas. Em um cenário crescente de pobreza, não ter acesso ao produto básico de higiene, além de ferir a dignidade humana, pode gerar prejuízos econômicos a longo prazo para o país.

 

Segundo o relatório Livre para Menstruar, do movimento Girl Up Brasil, cerca de 60 milhões de pessoas menstruam todos os meses no Brasil.

 

Estima-se que uma mulher gaste entre três mil e oito mil ao longo de sua vida para comprar absorventes.

 

Assim, ao considerar que a renda anual dos 5% mais pobres é de mil 920 reais, com base em dados da Pnad Contínua do IBGE 2020, esse grupo mais vulnerável precisa trabalhar até quatro anos só para pagar absorventes.

 

A diretora executiva do Girl Up, Letícia Bahia, diz que a insuficiência de absorventes leva meninas a faltarem cerca de uma semana de aula todos os meses.

 

Ela lembrou que o número de mulheres sem condições de comprar absorventes aumentou muito na pandemia. Como muitas trabalhadoras ficaram desempregadas, hoje usam os recursos que restam para comprar comida.

 

Dados da ONU apontam que, no mundo, uma em cada dez meninas falta às aulas durante o período menstrual.

 

No Brasil, essa proporção é ainda maior. Uma entre quatro estudantes já deixou de ir à escola por não ter absorventes.

 

A evasão escolar é de 45 dias de meninas que não têm condições de comprar absorventes. Isso acaba prejudicando o ensino delas.

 

 

Para a pesquisadora em saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Chrystina Barros, não ter absorventes disponíveis é um limitador de vida. Prejudica a saúde física, mental e a dignidade das mulheres.

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