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A missionária Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida manteve relacionamentos amorosos com dois integrantes do Comando Vermelho em períodos diferentes, sendo um deles preso e outro foragido, segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). Os homens são Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman”, e Renildo Silva Rios, apontado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) como integrante da organização criminosa.
Conforme a denúncia, Rhavenna manteve um relacionamento com Jonas, vulgo “Batman”, durante o período em que ele estava foragido no Rio de Janeiro. As investigações apontam que ela viajava para encontrá-lo e tinha contato frequente com ele.
Entre os dias 27 e 28 de setembro de 2024, Orminda avisou Rhavenna que Jonas havia saído do presídio e mandado que ela entrasse em contato com ele. No dia seguinte, Rhavenna encaminhou à mãe uma foto de “Batman” foragido, demonstrando, segundo o Gaeco, que tinha conhecimento prévio da fuga.
Em dezembro daquele ano, Rhavenna também informou à mãe que estava na casa de “Batman”, no Rio de Janeiro. No dia 6 de dezembro, Orminda entregou à filha uma mensagem de Renildo Silva Rios, que pedia para ela “vigiar o morro” para ele. Segundo o GAECO, Rhavenna provavelmente estava no Rio na ocasião.
Em janeiro de 2025, diálogos analisados pelo Gaeco indicam que Orminda estava na residência de Jonas, em uma favela do Rio de Janeiro, enquanto ele permanecia foragido. Na ocasião, Rhavenna afirmou estar na “base com os meninos”, e Orminda avisou que “Batman” havia mandado que elas fossem embora. Para o Gaeco, os diálogos demonstram o vínculo entre elas e Jonas.
A denúncia afirma ainda que imagens extraídas do iCloud de Rhavenna revelaram o relacionamento amoroso com Jonas e o recebimento de valores encaminhados por ele durante o período em que permaneceu foragido. O Gaeco também aponta que, durante as viagens ao Rio de Janeiro, ela tinha acesso às favelas e se deslocava com auxílio de pessoas ligadas a “Batman”.
Rhavenna também manteve um relacionamento amoroso com Renildo Silva Rios, conhecido como “Chapa”, “Velhote” ou “Veio”, que estava preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. Segundo o relatório citado na denúncia, ela já estava vinculada a Renildo desde 2024.
Segundo o GAECO, foram encontradas fotos íntimas do casal, conversas por vídeo e registros de presentes recebidos por Rhavenna, incluindo joias, flores e um veículo. A denúncia também aponta o envio de valores e o pagamento de despesas relacionadas ao carro.
Conforme o relatório, no dia 6 de dezembro de 2024, Orminda entregou a Rhavenna uma mensagem de Renildo Silva Rios, pedindo que ela vigiasse o morro para ele. Na ocasião, segundo o GAECO, provavelmente Rhavenna estava no Rio de Janeiro, pois, no dia anterior, havia informado à mãe que estava na casa de “Batman”.
De acordo com a investigação, Renildo ocupava a função de “conselheiro final” do Comando Vermelho, e Rhavenna tinha conhecimento dessa condição. Em um dos diálogos citados na denúncia, de 16 de março de 2026, ela conversa com a irmã Anatany sobre o poder aquisitivo de Renildo e relaciona os recursos à função exercida por ele na organização criminosa.
O GAECO também sustenta que os presentes e valores recebidos por Rhavenna faziam parte da movimentação financeira atribuída ao núcleo familiar. Segundo a denúncia, a família teria utilizado a aquisição de bens e os chamados “presentes e bençãos” para movimentar valores que seriam de origem ilícita.
Rhavenna é filha dos pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida. Segundo o Ministério Público, a família tinha acesso a diferentes alas do sistema penitenciário por meio da equipe de evangelização “Resgatando Vidas”.
De acordo com a denúncia, a atividade religiosa teria facilitado o contato entre integrantes da facção presos, membros que estavam em liberdade e foragidos, além do transporte de objetos e mensagens. O GAECO cita, ainda, cartas de presos que chamavam Orminda de “mãe” e pediam que ela guardasse valores e levasse itens para dentro do presídio.
O Ministério Público denunciou Rhavenna e outros cinco investigados por crimes relacionados à organização criminosa e lavagem de dinheiro. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça.
Além de Rhavenna e Orminda, são alvos da acusação Renildo Silva Rios, conhecido como “Velho”, “Velhote” e “Chapa”, Rhuan Barcelos da Conceição, Anatany Nina de Barcelos Souza Alves e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi.
O pai de Rhavenna, Nivaldo de Almeida, citado na investigação, não foi denunciado em razão da morte dele, ocorrida em 5 de setembro de 2026.
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