Buscando apresentar ao eleitorado luverdense as propostas dos dois candidatos ao Executivo Municipal, o ExpressoMT elaborou um questionário onde poderão ser analisados os planos de governo e apresentação dos postulantes ao cargo de gestor público de Lucas do Rio Verde.
O empresário Otaviano Pivetta, que foi prefeito por dois mandatos e deputado estadual, falou sobre suas propostas de trabalho. O candidato, que representa a coligação Lucas Cada Vez Melhor, veio até a sede do ExpressoMT, onde respondeu aos questionamentos. Confira, a seguir, o que Pivetta pretende fazer em áreas como Educação e Segurança caso seja eleito no dia 7 de outubro próximo.
ExpressoMT: Como o senhor avalia o mandato do prefeito Marino Franz, quais foram os principais acertos e erros?
Pivetta: Eu avalio como um mandato muito positivo, muitas conquistas, muitas realizações e também algumas deficiências em razão do alto crescimento populacional e acima da média que aconteceu nos últimos oito anos. Se eu fosse dar uma nota de 0 a 10 eu posso tranquilamente dar nota 9.
ExpressoMT: Como cidadão, voluntário e no movimento comunitário de que forma o senhor contribuiu com melhorias para o município?
Pivetta: Eu vim morar em Lucas em 1983. Participei, fui daqui a Diamantino junto com o Izair Ambrosio num Corcel 2 azul fazer pressão nos vereadores de Diamantino para criação do Distrito de Lucas, liderado na época pelo nosso vereador Lira (Antonio Izaque Fraga Lira). Depois da emancipação de Lucas em 1988, participei ativamente na eleição que elegemos o senhor Werner Kothrade como prefeito e o meu irmão Otacildo como vice-prefeito. A primeira Expolucas, eu fui nomeado pelo seu Werner na época como coordenador. Então eu fui o idealizador da primeira exposição e conduzi todos os trabalhos, arrecadação de fundos, que nós éramos muito pobres pra poder fazer o mais bonito possível a festa de aniversário de nosso município. Fui também quem introduziu a suinocultura, primeiro suinocultor do município de Lucas e o primeiro suinocultor em escala do Estado de Mato Grosso. Fundei na época a Associação Estadual dos Criadores de Suínos, fui o primeiro presidente. Depois o idealizador e fundador e primeiro presidente da Coagril, a cooperativa Luverdense com o objetivo de desenvolver a suinocultura e assim diversificar a economia local. Fui presidente durante 10, 12 anos. Durante esse tempo vivi intensamente a vida comunitária. No Conselho da Escola Dom Bosco, sempre fui partícipe das coisas importantes que aconteceram no nosso município. Também no esforço comunitário, antes de entrar na política, fui sócio-fundador do CTG, sócio-fundador da Sicredi Lucas, se não me engano a segunda ou terceira conta da Sicredi. Participei, e fui fundador da CrediLucas, na época. Sei que aqui vou esquecer muitas coisas que fiz, participei e estive diretamente envolvido. Em 1994, quando foi estendido o linhão de Cuiabá a Sinop e que foi rebaixado em Nova Mutum e Sorriso e Lucas ficou no escuro, nesse momento com o mesmo sentimento de indignação da sociedade eu decidi me enveredar para a política. Eu fui candidato a prefeito em 1996, me elegi prefeito, a partir daí comecei como dirigente municipal a promover e liderar uma grande transformação no nosso município. No final de 98, depois de muitas idas e vindas, conseguimos o rebaixamento do linhão de energia. Fui reconduzido ao cargo em 2000 até 2004, período em que nós desenvolvemos o planejamento, urbanização, organização de todo o perímetro urbano do município, atraímos centenas de empresas boas pro nosso município, desenvolvemos o projeto das ‘PPP caipiras’, cujo primeiro evento foi a rodovia da Mudança de Lucas do Rio Verde a Tapurah, fui idealizador desse projeto que depois foi utilizado por mais de 40 associações Estado afora e fui contribuinte também; idealizei a ‘agroestrada’ também, naquele trecho do setor 2 que é uma rodovia de baixo custo pra atender os produtores daquele setor, que era um problema constante para o município, para as pessoas que precisavam. Como prefeito fui presidente do consórcio regional de saúde Teles Pires durante cinco anos, dediquei meu trabalho lá no consórcio; fui presidente da associação dos prefeitos do Centro Norte de Mato Grosso, congregando 32 municípios. Presidi o consórcio privado que provocou uma reflexão nacional e também conseguimos o licenciamento ambiental da BR 163 até Santarém. Fiz mais de 10 viagens a Santarém, Miritituba, Itaituba, Manaus, Belém; mais de 20 viagens a Brasília, São Paulo, pra congregar empresários do setor do polo industrial de Manaus, do setor de transporte fluvial e transporte terrestre. Não conseguimos fazer a rodovia, mas criamos um movimento de muita discussão e conseguimos quebrar o preconceito que os ambientalistas tinham contra a BR 163. Foi exatamente nesse período que nós conseguimos avançar. Tivemos mais de cinco reuniões com a Ministra (Meio Ambiente) Marina Silva e o Ministro (Integração Regional) Ciro Gomes, na época nos ajudou muito, que se conseguisse o licenciamento ambiental. E a mudança de pensamento do Governo Federal em relação à BR 163 que depois passou a ser decisão do presidente Lula, uma rodovia pública. Fui idealizador junto com mais meia dúzia de amigos, sócios, e criamos a Univerde, que hoje é a Escola La Salle; fui também idealizador e junto com alguns amigos, o principal o Helmute (Lawisch) e criamos o Luverdense. Em 90 dias fizemos esse singelo estádio (Passo das Emas) que hoje até hoje atende os admiradores do futebol. Fui protagonista de uma transformação importante no nosso município e me sinto um dos responsáveis por ter incluído definitivamente Lucas do Rio Verde no mapa das cidades respeitadas do Brasil. Depois que eu entreguei o mandato pro Marino, eu fui secretário de Estado da Agricultura. Nesse período eu consegui realizar muitas coisas. Visitei 60 dos 141 municípios do Estado, levando ideias, benefícios, projetos. Fui idealizador e sócio-fundador da Ema Alimentos, que é uma empresa de produção de frangos. Quando secretário de Estado, eu acompanhei a negociação da Perdigão em Nova Mutum com a Marie Luiz, que era uma empresa de produção de frangos. Como agente público, ajudei a facilitar e criar incentivos para que a Perdigão se estabelecesse em Mato Grosso. Esse episódio chamou a atenção da Sadia e eu fui procurado pelo presidente do Conselho na época, Valter Fontana, e pelo vice-presidente Eduardo Ávila, que demonstraram interesse em fazer investimentos no setor em Mato Grosso, na produção de frango e suíno. E fizeram uma agenda pra visitar Mato Grosso, que contemplava Nova Mutum, Sorriso, Paranatinga, Primavera do Leste e Campo Verde, onde eles já tinham o projeto. E eu, aproveitando a minha ‘camiseta’ de luverdense, convidei eles para conhecer Lucas do Rio Verde, falei das vantagens que Lucas poderia oferecer, dos projetos que tínhamos aqui já produzindo, de suínos com a Coagril, e de frangos já idealizado, e eles então aceitaram vir conhecer. Chegando aqui, fizemos uma reunião lá onde é a Sadia hoje (tinha um escritório da Ema Alimentos) com o prefeito Marino, o Joci, o Ivan, Miguel Vaz Ribeiro e o Ivo Munaretto, éramos os sócios da Ema Alimentos. E vendemos o projeto pra eles, pra Sadia, eles, depois daqui, não quiseram nem ver os outros municípios, daqui nós fomos pra Campo Verde e um mês ou mais depois eles chamaram até São Paulo, eu não era mais Secretário de Agricultura, mas eu fui pra reunião do Conselho da Sadia em São Paulo, e eles colocaram na mesa a intenção de comprar os ativos da Coagril, pra daí eles fazer aqui o maior projeto da America Latina de produção de suínos e aves. Aí eu fui o negociador da Coagril, nós tínhamos uns 20 sócios, pra vender os ativos pra Sadia e fizemos isso, de modo que participei ativamente da conquista desse grande acontecimento que foi a vinda da BRF pra cá. Depois disso, como deputado, estive sempre ao lado do município, e eu fui eleito com 36 mil votos (fui o quinto mais votado na época), dez mil votos foram de Lucas e os outros 26 foi de outros municípios que eu também tive que atender. Dediquei meus quatro anos como deputado, muito a Lucas, mas também aos outros municípios que me confiaram a missão de representá-los como deputado estadual e fiz tudo o que eu pude, abrindo mão de todos os privilégios e direitos que um deputado tem, sempre fui o primeiro deputado a publicar minhas contas, minhas atividades legislativas, e o custo das atividades legislativas publicadas no meu site, todo mês. Tentei fazer o melhor como deputado.
ExpressoMT: Porque o senhor acha que a população de Lucas do Rio Verde lhe daria este voto de confiança e o elegeria prefeito?
Pivetta: Porque a população de Lucas do Rio Verde me conhece, já sabe que pode confiar em mim, eu mais do que nunca estou entusiasmado, experiente e determinado a fazer melhor do que eu já fiz no passado, me sinto muito preparado, muito jovem ainda, com muito prestigio no Estado de Mato Grosso e no Brasil, pra ser um bom prefeito de Lucas do Rio Verde.
ExpressoMT: Quais suas propostas para melhorar a saúde pública de Lucas do Rio Verde, levando em consideração que não é de responsabilidade do município ações de média e alta complexidade?
Pivetta: Nós vamos fazer um projeto de ampliação do Hospital São Lucas imediatamente, alguma coisa na ordem de 200 leitos, equipado com equipamentos e instalações pra ser um hospital de referência, UTI’s, enfim, pra poder atender todas as especialidades. O passo seguinte vai ser convidar os municípios de Tapurah, Ipiranga, Itanhangá, Nova Mutum, Trivelato e Lucas a formar um novo consórcio regional de saúde no Hospital São Lucas. Como isso vai ser uma proposta muito boa pra essas comunidades, nós vamos com facilidade convencer os prefeitos, vereadores de que vai ser muito bom pra todo mundo e nós convencidos que isso vai ser muito bom pra esses seis municípios, vamos à Assembleia Legislativa, que eu tenho transito com todos os deputados, e vamos convencê-los que essa região e tem direito a ter um hospital de referência, que já não aguenta mais depender do Hospital de Sorriso. Há dez anos, quando eu fui presidente, era a mesma coisa que é hoje, e a população dobrou, e eu tenho a certeza que vamos ter o apoio dos 24 deputados. Depois disso nós vamos ao governador, que certamente não vai ter como dizer não, e nós vamos criar um hospital regional de referência aqui em Lucas, com todos equipamentos necessários, instalações e com isso nós vamos atrair os profissionais de especialidade necessários pra atender a sociedade luverdense e dessa microrregião.
ExpressoMT: Na área educacional, mais precisamente no ensino superior, consta em seu plano de governo projeto para buscar uma instituição pública para Lucas do Rio Verde?
Pivetta: Consta e já está sendo feito esse movimento. Já foi protocolado um projeto em Brasília, o próprio Marino semana passada esteve com alguns vereadores visitando os deputados pra ver como é que está andando e parece que já passou por uma comissão, mas eu costumo ser muito franco e objetivo. Nós temos duas possibilidades, que é a estadual e a federal. A estadual, eu tive como deputado por quatro anos, e eu vi a pressão que o governador sofre pra fazer a Unemat em Cuiabá e Várzea Grande. Até hoje não fez e a sociedade cobra muito. Então eu acho pouco provável que antes de Cuiabá e Várzea Grande vá acontecer em Lucas do Rio Verde. Segunda, a Federal demanda mais tempo. Nós temos que nos tornar um pouco mais importantes do que já somos pra poder conquistar um beneficio dessa envergadura. O grande polo regional que está consolidado aqui é Sinop. Pelo esforço comunitário, a bravura e a ousadia do povo luverdense nós estamos começando a nos apresentar como uma alternativa. Se nós analisar a história recente nós vamos ver que Lucas saía de uma posição bem inferior e nós estamos fazendo sombra em municípios que eram líderes na região. Se for possível trazer, nós vamos trazer. Empreender ações pra que isso aconteça, nós vamos empreender. Apoio político pra isso nós temos, de políticos daqui do Estado e de fora do Estado também. Os daqui eu posso citar, o senador Pedro Taques e o senador Blairo Maggi. Agora eu não vou prometer a curto prazo por que isso iludir a sociedade, eu não vou fazer abaixo assinado que também é uma forma de iludir a sociedade. Eu costumo me dedicar pra causa pública e produzir muito resultado, mas preferencialmente sem prometer, fazer o que eu posso e a história mostra claramente o que eu to falando.
ExpressoMT: Como será tratado o assunto ‘segurança pública’ em seu governo, caso seja eleito?
Pivetta: Nós vamos reforçar a nossa Guarda Municipal, qualificar, trabalhar a qualificação continuada dos agentes da Guarda Municipal, nós vamos estreitar os relacionamentos com os comandos da Polícia Civil e Militar pra não deixar faltar as condições pra que eles se mobilizem e consigam atender a sociedade e vamos reivindicar, com as forças políticas que temos, as melhorias das condições das polícias pra um município pujante como é o nosso município, com o crescimento que tem nosso município, e consequentemente o crescimento dos problemas também. É o que podemos fazer como poder público local. Nós não temos poder de mandar na polícia, não temos poder de influenciar, nós temos poder de apoiar e isso nós vamos fazer.
ExpressoMT: Ainda relacionado a segurança pública, drogas. Que medidas o senhor pretende tomar para minimizar os efeitos que desse mal que aflige toda a sociedade, caso seja eleito?
Pivetta: A nossa cidade é a cidade que no Brasil mais tem espaços públicos e espaços para esporte per capita. Não tem nenhuma outra cidade que tem tanto campo de futebol, tantas praças, tantos ginásios de esporte, tantas piscinas públicas. O que nós vamos fazer é dotar a Secretaria de Esportes e Lazer de monitores, do número de monitores treinados, capacitados, entusiasmados pra ‘sacudir’ essa gurizada, esses jovens, atrair esse público pras praças, pras quadras de esporte, pro esporte, pro lazer, pro entretenimento, pra cultura, vamos investir forte na cultura, criando um Centro Nordestino de Cultura, assim como tem o CTG, vamos fazer a Festa dos Estados, pra todos os povos, de todas as origens, cada uma do seu Estado apresente seus valores culturais, os seus costumes. Vamos enriquecer, fazer aflorar na sociedade luverdense, essa cultura multirracial e miscigenada que está formando uma das sociedades mais bonitas do Brasil.
ExpressoMT: Suas considerações finais.
Pivetta: Eu venho humildemente pedir a sociedade que confie em mim mais uma vez, estou preparado pra nesses próximos quatro anos fazer mais e melhor do que fiz no passado.