“A violência doméstica e, principalmente, a violência contra a mulher, não escolhe classe social e independe do grau de instrução”. Esta foi uma das frases de abertura da roda de conversa conduzida pela superintendente estadual de política para as mulheres e presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, Ana Emília Brasil Sotero para um grupo usuários do Sistema Único de Assistência Social. A ação realizada sexta-feira à tarde, no Cine-Teatro Ipê-Roxo foi uma iniciativa da Secretaria Municipal de Ação e Promoção Social.
Ana Emília tem vindo por diversas vezes a Nova Mutum, é uma parceira constante das ações da Administração Municipal no sentido de levar informações à sociedade sobre como prevenir e combater a violência doméstica. “Ela, com larga experiência na área, sempre acrescenta algo novo que contribui de forma significativa para a consolidação das políticas públicas implantadas aqui em Nova Mutum”, garante a secretária Karla Lautenschlager. Tanto que a experiência municipal integrou publicação editada em inglês e que fez parte do material exibido recentemente em Londres, em evento a partir do qual Mato Grosso certamente servirá de referencial para construção de políticas públicas de proteção e garantia de direito a mulher, em países como a África, por exemplo.
Para a superintendente e presidente do Conselho, somente com um trabalho intensivo e permanente, poder-se-á construir uma nova cultura. Ana Emília é categórica ao afirmar que a violência passa de pai para filho, ou seja, depois de adultos os filhos passam a repetir modelos vistos em casa. “A educação e filho é responsabilidade de pai e mãe, até porque quando chegam à escola já têm entre três e quatro anos e, possuem alguns referenciais”, observa. “Por isso, temos que começar a mudar o comportamento dentro de casa”, acrescenta.
Mas a construção desse novo comportamento, de acordo com Ana Emília, passa pela informação e pelo conhecimento. A presidente do Conselho acredita que a partir dessa consciência, também será possível alcançar resultados em outro segmento: o da violência urbana. “A violência urbana que vemos hoje é, com certeza, fruto de violência familiar anterior”, garante. Por isso, segundo Ana Emília, ao educar uma criança é preciso ter muito cuidado e muita responsabilidade não só com as palavras, mas também com as ações porque os filhos tendem a reproduzir os pais.
Segundo Ana Emília, hoje, 13% das mulheres sofrem abusos por parte de seus maridos e o número de tentativas de suicídio é até 3% maior entre mulheres vítimas de violência. Não é por acaso, portanto, que a violência doméstica é vista como um problema de saúde pública. “A violência contra a mulher atinge toda a família”, reitera a presidente do Conselho.
Além da roda de conversa, com usuários do Suas, Ana Emília também fez palestras na Escola Agrícola Ranchão, na noite de quinta-feira, 24, e para um grupo de funcionários da Perdigão, na manhã de sexta-feira, 25. “Esses encontros, são muito importantes, porque a cada ação estamos contribuindo para que mais e mais pessoas sejam multiplicadoras dos direitos da mulher e, assim, podemos obter melhores resultados nessa luta que visa reduzir os índices de violência doméstica”, conclui.