Mato Grosso, 24 de Maio de 2020
Esportes
Com testes distintos, clubes batem mil exames e somam 65 casos positivos de coronavírus
20.05.2020
09:33
FONTE: Globo Esporte

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  • Com testes distintos, clubes batem mil exames e somam 65 casos positivos de coronavírus

    Depois de realizar testes, jogadores retornaram às atividades em Santa Catarina. No detalhe, Valdívia, do Avaí — Foto: André Palma Ribeiro / Avaí FC

Em duas semanas, o Flamengo fez, sozinho, mais de 300 testes para coronavírus entre jogadores, membros da comissão técnica, funcionários e familiares deste grupo. Ninguém testou tanto num futebol brasileiro que ainda busca padrão e organização no retorno aos treinos e vislumbra mais adiante volta dos jogos. Em seis estados, 14 clubes realizaram testes até agora.

 

Levantamento realizado pelo GloboEsporte.com aponta pelo menos 1.001 testes e 65 resultados positivos - não entraram na conta, por exemplo, a segunda leva de testes do Flamengo e clubes que não revelaram nem total de exames realizados e nem resultados. Índice de casos positivos para coronavírus é de 6,5% dos testados até aqui. Destes, 22 são atletas de futebol. O restante pertence ao quadro de funcionários, comissão técnica ou é familiar ou trabalha para algum atleta.

 

Na liga inglesa, que ainda não voltou, foram seis casos positivos em 748 testes - incidência de 0,8%. A Liga de Futebol Alemã (DFL) realizou até o início de maio 1.724 testes de Covid-19 em atletas, treinadores, fisioterapeutas e outros profissionais envolvidos nos treinamentos dos times da Bundesliga 1 e 2. Apenas 10 pessoas tiveram resultado positivo - incidência de menos de 0,6%. No Brasil, a CBF pediu aos clubes todas as informações para armazenar banco de dados próprio de resultados de testes em clubes.

 

Veja mais abaixo os clubes e os resultados no futebol brasileiro.

O número ainda é pequeno. Clubes aguardam autorização de retomada dos treinos, mas é reflexo da disparidade econômica e da falta de padronização destas testagens - o que poderia vir da CBF (a entidade nacional do futebol não distribuiu ainda a federações e clubes seu protocolo protetivo e de recomendações). Em entrevista na última sexta, o presidente da Comissão Nacional de Médicos de Futebol da CBF, Jorge Pagura, admitiu que fazer testes RT-PCR em todo o país é inviável.

 

- Não é o ideal (testes diferentes), mas são as armas que temos hoje - observou o chefe médico do Avaí, Luis Fernando Funchal, que participou da produção do protocolo nacional da CBF e também do estado de Santa Catarina.

 

Hoje, há três tipos de testes mais comuns. O RT-PCR é mais caro, pode custar R$ 250 cada um em lote e tem a maior precisão do quadro clínico. Neste exame, uma espécie de cotonete é colocado dentro do nariz ou da garganta para coleta de mucosa e, depois, este material é examinado em laboratório. Mais dois outros testes sorológicos, um deles a sorologia venosa, com agulha na veia do braço, e a sorologia de teste rápido, com furo na ponta do dedo, com resultado em 10 a 15 minutos.

 

- Não dá para comparar resultado do RT-PCR com teste rápido. É um retrato não fidedigno - explicou Funchal.

O Avaí realizou 149 testes - atrás apenas do Flamengo na quantidade de testagem, graças a uma parceria com grande laboratório -, com 57 RT-PCR e 92 testes rápidos. Detectou quatro resultados positivos - com três jogadores já imunizados e um exemplo que cabe bem para a diferença de testes.

 

- O RT-PCR é praticamente impossível de dar erro. Um jogador nosso deu positivo nesse teste. Entrei em contato e ele me questionou: "não é possível, estou super bem. Tomamos todos cuidados". Fui conferir com o laboratório, que tinha a contraprova e foi taxativo. No exame sorológico dele, este teste rápido, tinha sido negativo - contou o médico do Avaí.

 

Feminino tem três testes e 100% positivo

Com mais de 270 mil casos diagnosticados e quase 18 mil mortes, o Brasil tem estágios diferentes de acompanhamento, flexibilização e transmissão da doença. Quarto estado com maior número de casos (22.132 até terça-feira), o Amazonas teve primeiros testes no futebol divulgados. Foi no time feminino 3B Sport, que disputa a série A2 do Brasileiro feminino. Dos três testes - do modo rápido - realizados, um no presidente (Bosco Brasil) e em duas jogadoras (Thaisinha e Gabi), os três deram positivo. O presidente encomendou mais 20 kits para testar mais atletas e funcionárias.

 

Os testes rápidos - que custam pelo menos metade do RT-PCR - são a maioria entre os mil realizados até aqui. Há dúvidas sobre a eficácia dele - com estudos que apontam entre 40% a 80% de falsos negativos, caso do jogador do Avaí citado mais acima nesta reportagem.

 

Como os clubes devem driblar este problema em potencial? Com questionários diários e rígidos para atletas e todos envolvidos no futebol. Tosse? Esposa gripada? Sem paladar? A recomendação é encaminhar a teste mais elaborado e ir para quarentena.

 

No Rio de Janeiro, por exemplo, a Ferj comprou 700 testes deste tipo. Nos últimos dias foi ao Volta Redonda (40 testes), Bangu (39), Portuguesa (40) e no Boavista (que não divulgou nem a quantidade nem o resultado de exames) - foram 15 casos positivos detectados. Estava prevista a realização de testes no Resende, mas, com elenco e comissão técnica desmanchados, foi cancelado. Nesta quarta, o Madureira deve passar por testes. No sindicato de atletas de futebol do Rio de Janeiro (SAFERJ), dos 20 testados, o que incluiu o RT-PCR, 12 contraíram coronavírus.

 

Quem vai pagar?

Com estaduais suspensos por tempo indeterminado e muitos clubes em dificuldades econômica, a compra de testes está longe da lista de prioridades de cartolas. Em São Paulo, estado brasileiro com mais casos e mais mortes, apenas Palmeiras e Bragantino compraram os testes, mas ainda aguardam data de retorno aos treinos. No Ceará, terceiro estado brasileiro mais atingido pelo coronavírus, Ceará e Fortaleza compraram, mas ainda não testaram atletas.

 

O custo de investimento em testes varia de acordo com a quantidade e do tipo de testes. O Flamengo comprou 600 testes por cerca de R$ 100 mil. Mas há ainda custos de aplicação dos exames

Em Pernambuco, não há ainda sinal de retorno das atividades e nem de aquisição de testes. Em Goiás, o Atlético comprou, o Goiás está em fase de prospecção, mas ainda não realizaram testes. Em Sergipe, o Confiança, da Série B do Brasileiro, afirma que a CBF se comprometeu a disponibilizar os testes, mas já tenta parcerias com laboratórios locais.

 

No Rio Grande do Sul, Internacional e Grêmio foram os primeiros a testar. Depois de alguns dirigentes contaminados, os gaúchos se adiantaram em testar antes do retorno. No Tricolor, dois funcionários e um jogador (Diego Souza) testaram positivo. O São José fez 27 testes, sem resultados positivos. O Coritiba iniciou testes no grupo nessa terça-feira.

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