Mato Grosso, 08 de Julho de 2026
Social

Ex-funcionária de lotérica e ex-patrão travam batalha pela titularidade de bilhete premiado da Mega-Sena

06.07.2026
10:24
FONTE: Redação

IMPRIMA ESSA NOTÍCIA ENVIE PARA UM AMIGO

  • 1

Uma reportagem exibida no último domingo (5) pelo programa Fantástico, da Rede Globo, expôs a disputa judicial entre o proprietário de uma casa lotérica e uma ex-funcionária em Sinop (500 km de Cuiabá).

O caso ganhou repercussão após a ex-funcionária afirmar ser a proprietária de um bilhete premiado da Mega-Sena. Segundo ela, o jogo foi impresso com erro durante o concurso nº 2.620, realizado em 12 de agosto de 2023, que pagou prêmio de R$ 116.235.513,11.

Na ocasião, quatro apostas acertaram as seis dezenas e dividiram o prêmio principal. Duas delas foram registradas em Sinop, uma em Fortaleza (CE) e outra em Uberaba (MG).

O proprietário da casa lotérica, no entanto, reivindica a titularidade do bilhete e da premiação milionária. Atualmente, a ex-funcionária e o marido respondem a uma ação por furto qualificado, enquanto o ex-patrão busca na Justiça o reconhecimento do direito sobre o valor do prêmio.

De acordo com as investigações, a mulher trabalhava na lotérica quando um bilhete foi impresso com defeito. Ela realizou uma nova impressão da aposta, conforme o procedimento adotado pelo estabelecimento. Toda a ação foi registrada por câmeras de segurança.

Seguindo as normas internas, o bilhete válido foi entregue à cliente, enquanto o comprovante com defeito foi guardado no cofre da lotérica. Pelas regras da empresa, caso o estorno da aposta não seja realizado antes do sorteio, o valor é assumido pelos sócios do estabelecimento, que passam a ser considerados proprietários do bilhete.

Após o sorteio, que premiou a aposta, as imagens de segurança mostram a funcionária retornando à lotérica no dia seguinte, retirando o bilhete do cofre, conferindo o resultado com a ajuda de uma colega e, em seguida, telefonando para o marido.

Momentos depois, ela deixa o estabelecimento e segue para uma agência da Caixa Econômica Federal, onde tenta resgatar o prêmio. O pagamento, no entanto, não foi realizado de imediato.

A instituição solicitou prazo de até 90 dias para analisar o caso e instaurou um procedimento interno de verificação em razão das rasuras apresentadas no bilhete. Três dias antes do fim desse prazo, em novembro de 2023, a Justiça determinou o bloqueio preventivo do valor.

Após a conclusão das investigações, o casal foi denunciado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPE) pelos crimes de furto qualificado pelo abuso de confiança e concurso de pessoas.

A defesa da ex-funcionária sustenta, no entanto, que ela assumiu o custo da aposta impressa com defeito e afirma que esse procedimento era comum na lotérica. "Se faltasse no caixa, a gente pagava; se o jogo rasurava, a gente pagava; tudo a gente pagava ali", afirmou Clarice em entrevista ao Fantástico.

A contadora da lotérica à época, Vani Porfírio, responsável pelos relatórios de fechamento de caixa, também declarou que a funcionária efetuou o pagamento da aposta com defeito.

Na última segunda-feira (29), o ministro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou o recurso ordinário em habeas corpus apresentado pela ex-funcionária e pelo marido.

A defesa alegava que o caso deveria tramitar na Justiça Federal, sob o argumento de que o pagamento do prêmio seria de responsabilidade da Caixa Econômica Federal (CEF) e, por isso, haveria interesse direto da União.

Ao analisar o caso o ministro destacou que o crime de furto tutela a posse e a propriedade e que o prejuízo patrimonial foi suportado exclusivamente pela casa lotérica, empresa de natureza privada.

"O objeto material do delito é um bilhete de loteria premiado que, por força das regras contratuais e comerciais reguladoras da atividade lotérica, pertencia à esfera de disponibilidade e ao patrimônio dos sócios da referida pessoa jurídica privada. O custo financeiro do bilhete defeituoso não estornado antes do sorteio foi por eles suportado, convertendo o título em propriedade da lotérica", afirmou o ministro.

Ao rejeitar o pedido da defesa para transferir o processo à Justiça Federal, Ribeiro Dantas concluiu que não há interesse jurídico da União no caso e manteve a tramitação da ação penal na 1ª Vara Criminal da Comarca de Sinop.

O início das audiências de instrução e julgamento que irão definir a quem pertence o prêmio de aproximadamente R$ 29 milhões está marcado para fevereiro de 2027, conforme o Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

 

IMPRIMA ESSA NOTÍCIA ENVIE PARA UM AMIGO

NOTÍCIAS RELACIONADAS

ENVIE SEU COMENTÁRIO