Mato Grosso, 10 de Agosto de 2020
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Idosos perdem em média uma década de vida ao morrer por Covid-19, diz estudo
02.05.2020
15:10
FONTE: G1

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  • Suzanne Valette, de 88 anos e infectada com COVID-19, se encontra com seu filho Philippe Melard através de um vidro no lar de idosos Buissonets em Horion-Hozemont, uma seção do município de Grace-Hollogne, na Bélgica, em 29 de abril — Foto: John Thys/AFP

    Suzanne Valette, de 88 anos e infectada com COVID-19, se encontra com seu filho Philippe Melard através de um vidro no lar de idosos Buissonets em Horion-Hozemont, uma seção do município de Grace-Hollogne, na Bélgica, em 29 de abril — Foto: John Thys/AFP

Com a justificativa de responder às especulações de que os idosos mortos por coronavírus teriam pouco tempo de vida mesmo antes da doença, uma pesquisa juntou dados para tentar calcular quantos anos as vítimas da Covid-19 perdem em média depois dos 50 anos. O resultado: 14 anos para homens sem doenças pré-existentes e 12 anos para as mulheres. Aqueles com outras problemas de saúde poderiam viver em média mais 13 anos; elas, 11 anos.

 

O artigo ainda não teve a revisão dos pares — análise de outros cientistas — e elenca algumas deficiências, como a falta de informações sobre as vítimas da Covid-19. Foram usados estudos da Itália, do Reino Unido, da Escócia e da Organização Mundial da Saúde (OMS) como base, com a revisão científica de 77 trabalhos e a escolha de uma pesquisa de casos: o Instituto Superiore di Sanità (ISS) apresentou dados de 11 comorbidades comuns em 701 pacientes com 1, 2, 3 ou mais doenças associadas, dentro de uma amostra total de 6.801 pessoas.

 

"Como as pessoas que morrem de Covid-19 são predominantemente mais velhas e têm LTCs (sigla que significa, em inglês, condições subjacentes a longo prazo) preexistentes, alguns especularam que muitas dessas pessoas logo morreriam de outras causas e que a expectativa de vida pode, portanto, não sofrer grande impacto", escreveram os autores.

 

O método escolhido apontou uma grande oscilação de tempo de vida perdido, a depender da quantidade de comorbidades e idade. No caso do Sars-CoV-2, cardiopatias, diabetes, obesidade, câncer, doenças respiratórias, são fatores que podem levar a uma versão mais grave da infecção. Os pesquisadores mostram que a quantidade dessas doenças associadas faz muita diferença na contagem de uma média de anos perdidos pelo paciente, já que a própria comorbidade poderia causar a morte independente do coronavírus.

 

Uma pessoa com nenhuma comorbidade e que tem de 50 a 59 anos pode perder, em média, 35 anos de vida ao morrer por Covid-19. Mesmo um paciente hipotético com 4 doenças associadas no momento da infecção pelo Sars-CoV-2 e com essa mesma faixa etária estaria perdendo 23 anos. Claro, sem sofrer de uma causa imprevisível, como um acidente de avião ou morte por um crime qualquer.

 

Fato é que, de acordo com os cientistas, dos 50 aos 79 anos, mesmo com até 4 comorbidades, os idosos teriam ainda mais 10 anos de vida, pelo menos. No entanto, uma questão a ser levada em conta é a alta expectativa de vida da Itália, fornecedora de parte dos dados: 83 anos. No Brasil, é de 75 anos.

 

Rafael Thomazi, especialista pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, diz que outras doenças já causam a redução da vida do idoso, como o Alzheimer e a demência avançada, e para entender as chances de cada indivíduo a melhor forma é "individualizar o paciente idoso, não simplesmente pela idade, e dizer que o Covid-19 vai reduzir a expectativa de vida".

 

"Eu não vejo com bons olhos quando você tem um idoso, e tem um jovem, e simplesmente pela idade você escolhe entubar um paciente mais jovem. Isso é muito pouco, é muito vazio de significado. É uma questão importante a ser discutida. Então o que a gente defende? Individualizar caso a caso para o médico não precisar fazer essa escolha", explicou.

 

No Brasil, o último boletim detalhado com os casos da doença apontou que os idosos com mais de 60 anos representam 70% das mortes. As doenças associadas mais comuns são cardiopatia, diabetes e doença neurológica.

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