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A Polícia Federal utilizou agentes disfarçados para monitorar movimentações suspeitas de dinheiro dentro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), em Cuiabá. Durante a diligência, os policiais observaram a movimentação de servidores na agência do Sicoob instalada no órgão, mas tiveram a operação interrompida após serem abordados pela segurança interna.
A ação ocorreu na manhã de 14 de outubro de 2025 e está descrita em documento da PF encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), no âmbito da Operação Tomada de Contas, deflagrada na última quinta-feira (29) por suspeitas de irregularidades envolvendo o presidente do TCE, Sérgio Ricardo de Almeida, e pessoas próximas a ele.
Segundo o relatório, os agentes entraram no prédio utilizando uma história de cobertura para ocultar o verdadeiro objetivo da visita. Eles se acomodaram nas poltronas da sala de espera da agência bancária e passaram a observar a movimentação.
Durante a vigilância, os policiais identificaram um homem com características físicas semelhantes às do servidor Adriangelo Barros Antunes, ex-cunhado de Sérgio Ricardo, que entrou na agência carregando uma mala de mão preta aparentemente vazia.
O documento relata que o homem circulou pelo ambiente com naturalidade, sem ser abordado pelos funcionários do banco.
Pouco depois, a servidora Roseli Loss, chefe de gabinete de Sérgio Ricardo, entrou na agência usando um crachá do TCE. Segundo a PF, ela se dirigiu aos caixas e cumprimentou o homem identificado inicialmente por semelhança física como Adriangelo.
Após a saída de Roseli, os policiais observaram que o homem foi até a área dos caixas e deixou a agência carregando a bolsa, que aparentava estar cheia.
Segurança descobriu policiais
A tentativa de acompanhar o servidor terminou quando um dos agentes tentou ultrapassar a área de acesso controlado do Tribunal. Segundo a PF, Adriangelo utilizou um cartão funcional para passar pelas catracas e seguiu por um corredor que leva aos demais prédios do complexo.
Um policial tentou acompanhá-lo, mas foi abordado pela equipe de segurança interna. A intervenção comprometeu o sigilo da diligência e levou os investigadores a encerrar imediatamente a operação de campo.
O relatório também registra que a segurança do Tribunal havia reconhecido os policiais por sua participação em um workshop realizado no mesmo prédio em 2016, o que dificultou a atuação disfarçada.
Imagens e saques milionários
Depois da diligência, a Polícia Federal solicitou imagens das câmeras de segurança do Sicoob. Foram analisados 60 arquivos de vídeo, referentes ao período de 1º de setembro a 19 de novembro de 2025.
Segundo os investigadores, as imagens permitiram identificar dez episódios de saques em dinheiro, com participação recorrente de Roseli Loss e Adriangelo Barros Antunes.
A análise apontou correspondência entre dez datas registradas nas câmeras e saques bancários nas contas de Sérgio Ricardo, totalizando R$ 3,52 milhões. Os valores individuais variaram de R$ 11 mil a R$ 500 mil.
Os registros são apresentados pela PF como elementos de sustentação das suspeitas investigadas, e não como comprovação definitiva de prática criminosa.
Foram presos o presidente da Corte, Sérgio Ricardo; o consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira Maia; o servidor Adriangelo Barros Antunes; a secretária-executiva Roseli Loss; e os advogados Felipe José Glinke e Gustavo Fernandes da Silva.
Os conselheiros Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Alencar também foram alvos da operação e afastados de suas funções por determinação judicial, assim como o conselheiro aposentado Valter Albano, que integrava a comissão de fiscalização da corte.
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